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Estudos Bíblicos
Estudos Bíblicos

DISCIPULADO E EVANGELIZAÇÃO
Prof.ª Merlise dos Santos
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INTRODUÇÃO
Nesta etapa, vamos focar no tema discipulado. Veremos o conceito de discípulo no Antigo Testamento, e a partir do uso da terminologia hebraica do termo, veremos as características do servo no texto de Isaías, bem como a visão que os gregos tinham de discipulado, o convite de Jesus e como os discípulos são descritos no evangelho de Marcos.
A palavra que mais se aproxima do conceito de discípulo no AT é a palavra hebraica (ebed), que significa servo ou escravo. Um “servo” era considerado uma propriedade de alguém, está ligado à ideia de serviço ou obediência a alguém. Vamos ver o que o Antigo Testamento tem a nos dizer sobre isso.
TEMA 1 – O DISCÍPULO NO ANTIGO TESTAMENTO
Os sábios e profetas do AT, de uma certa forma, se designavam “servos de Deus” (ebed YHWH) e tinham o hábito de ensinar quem estava ao redor. O livro de Deuteronômio apresenta o princípio das Leis que o povo de Israel deveria aprender e repetir, e traz o uso da palavra servo com novos significados:

“Então Moisés convocou todo o Israel e lhe disse: Ouçam, ó Israel, os decretos e ordenanças que hoje lhes estou anunciando. Aprendam-nos e tenham o cuidado de cumpri-los” (Dt 5: 1). “Aprendam-nos”, usada aqui, é uma palavra similar no grego, mathesesthe, que significa discipulado.

“Quando entrarem na terra que o Senhor, o seu Deus, lhes dá, não procurem imitar as coisas repugnantes que as nações de lá praticam” (Dt 18: 9). Nesse texto, imitar é a palavra correspondente no NT para mathese, que tem por significado discipulado.

“Os seus filhos, que não conhecem esta lei, terão que ouvi-la e aprender a temer o Senhor, o seu Deus, enquanto vocês viverem na terra da qual tomarão posse quando atravessarem o Jordão” (Dt 31: 13) (Martins, 2017, p. 19). Aprender é a palavra correspondente da palavra grega mathesontai, discipulado.
Era considerado um servo/discípulo no AT aquele que aprendia e imitava a Lei de Deus, um aprendiz da revelação de Deus por meio de Moisés e dos profetas. Um servo, no AT, se apropriava do conhecimento do seu mestre
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comparando-o com a Torá, como uma espécie de aluno da Lei de Deus (Martins, 2017, p. 19).
Muito longe de ser comparado com a relação discípulo/mestre do NT, no AT, ser discípulo era ser discípulo do que foi revelado por Deus por meio da vida de Moisés e dos profetas.
1.1 Uso da terminologia hebraica de discípulo
1.1.1 LIMMÛD; TALMID
A palavra hebraica Limmûd usada como adjetivo significa instruído, experiente; e usada como um substantivo tem por significado aprendiz, “pupilo, discípulo (Kapelrud, 1997, p. 4-8; ShöKel, 1997, p. 344-345; Holladay, 2010, p. 250). Aparições do termo Limmûd no Antigo Testamento:

Isaías 8: 16;

Isaías 50: 4 (2x);

Isaías 54: 13;

1 Crônicas 25: 8 (Talmid);

Jeremias 2: 24;

Jeremias 13: 23.
Vamos analisar alguns desses textos e o sentido do termo Limmûd para entender o significado de discípulo no AT.
1.2 “Guarde o mandamento com cuidado e sele a lei entre os meus discípulos (limmudâi)” Isaías 8: 16
Isaías profetizou num contexto de tensão em que Deus o envia com uma profecia de libertação para o rei Acaz das mãos dos inimigos. O rei Rezim da Síria e o rei Peca de Israel do Norte se uniram para retirar o rei Acaz do trono de Judá. O propósito era colocar um rei que estivesse disposto a fazer uma união com eles na guerra que esquematizavam contra a Assíria (Schultz, 2009, p. 244-245).
Deus enviou a profecia de libertação para o rei Acaz, afirmando que os planos dos inimigos não teriam sucesso, e o Senhor livraria Judá das mãos dos inimigos, em Isaías 7: 10-16. Contudo, o rei Acaz escolheu confiar na ajuda político-militar que a Assíria poderia dar, em vez de confiar em Deus. Como resultado, “Teve o país invadido pela Assíria, ocasião em que cedeu mais da
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metade da nação, e logo depois, foi assassinado por Oséias filho de Elá, provavelmente com o apoio de Tiglate- Pileser que tinha interesse em ver um aliado no governo de Israel” (Gusso, 2006, p. 100).
Isaías é usado nesse contexto de juízo sobre o povo rebelde que as palavras de Isaías 8: 16 são proferidas, com a exortação de “guardar o testemunho e selar a Lei entre os discípulos”.
1.3 Discipulado em Isaías 8.16
A ideia de discipulado no texto implica alguns conceitos importantes em relação ao compromisso de ser um discípulo de YHWH:

Ser discipulado diretamente por Deus (Is 8: 11 – “O Senhor falou comigo [...]”;

Ele teme a Deus (Is 8: 13);

Ele espera no Senhor (Is 8: 17);

Ele deposita a sua esperança no Senhor (Is 8: 17);

Ele guarda a lei e os mandamentos (Is 8: 20).
O discípulo em Isaías 8: 16 é aquele fiel que procura seguir as recomendações e orientações inspiradas no texto de Deuteronômio 18: 9-22, uma advertência contra as práticas pagãs, mas está com seus ouvidos abertos para as palavras do Senhor por meio dos profetas.
TEMA 2 – O DISCÍPULO COMO SERVO DO SENHOR (EBED YHWH)
O texto de Isaías que expressa a ideia do discípulo como servo é encontrado em Isaías 50: 4, a narrativa se dá entre os anos de 740-690 a. C. em Jerusalém, num contexto de guerra e exílio. É nesse contexto que Isaías é usado para falar ao povo. Aqui, “o servo é o profeta que sofre na sua própria carne, aquele que oferece a sua pessoa, seu rosto, como forma de protesto contra a injustiça e opressão (Silva, 2007, p. 86). “O Soberano SENHOR deu‑me uma língua instruída, [discípulo] [limmûdîm] para conhecer a palavra que sustém o cansado. Ele me acorda manhã após manhã, desperta o meu ouvido para escutar como alguém que está sendo ensinado [limmûdîm].” (Is 50: 4 NVI).
Essa passagem é considerada messiânica e que faz parte de uma série de cânticos que apresentam a figura do ebed YHWH (servo de YHWH) (Smith, 2009,
5
p. 378-379). O servo de YHWH no texto é um discípulo fiel de Deus e serve como modelo para todos que desejam ser discípulos.
2.1 Características do servo no texto de Isaías

É instruído (v. 4);

Conhece a palavra (v. 4);

Ouvidos atentos (v. 4);

É ensinável (v. 4);

Não é rebelde (v. 5);

Oferece a outra face (v. 6);

Confia e se apoia em Deus (v. 10).
O texto de Isaías 50: 4 é conhecido como o terceiro cântico do Servo de YHWH, e mostra que o servo fiel, antes de abrir a boca para falar, é colocado como um ouvinte fiel e mostra que o discípulo que aprende a falar é porque aprendeu a ouvir. Tanto o que se ouve como o que o discípulo fala tem um único objetivo, consolar o cansado (Croatto, 1998, p. 230). Segundo Croatto (1998):
Consolar o cansado, dar forças ao fraco é uma ação do Senhor Deus frequente na Sagrada Escritura, mas especialmente no Segundo Isaías (Is 40,28- 31). Ao contrário, os deuses falsos ou quem lida com eles, como é o caso dos fabricantes de estátuas, estes se cansam, se fatigam e não oferecem esperança (Is 44, 12). Esta missão não é apenas do Senhor, mas de quem o ouve, de quem o segue e se faz seu discípulo. Esta é uma mensagem importante para o Segundo Isaías. (Croatto, 1998, p. 230)
O servo fiel é aquele que mantém a esperança no Deus que está próximo, que busca a sua presença constantemente para indicar o caminho e fortalecer os cansados. A mesma relação que o servo propõe entre discípulo e o ouvinte é a relação que o servo de YHWH estabelece com o próprio Deus.
2.2 O servo que ouve
O texto fala que o servo ouvia a mensagem manhã após manhã, com o objetivo de consolar os cansados e oprimidos. O servo de YHWH era despertado todas as manhãs e ouvia atentamente os ensinos que deveria passar para o povo. A expressão desperta o meu ouvido, segundo Champlin, aponta o recebimento de alguma revelação divina (Jó 36: 10,15; I Sam. 9: 15; II Sam. 7: 27) (Champlin, 2001, p. 2.931).
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O ouvir é uma especialidade do discípulo, apesar da frase soar contraditória. Brown (2012) afirma que esse termo se refere aos “seguidores imediatos que selaram a palavra profeticamente em seus corações” (Brown, 2012, p. 682). O servo de YHWH é discípulo quando tem a Palavra primeiramente guardada no coração, e isso se dá pelo ouvir, como afirma Artola:
Dessa identificação do profeta com a palavra surge a firme convicção de que seus oráculos são Palavra do próprio Javé. De Amós a Malaquias, toda a literatura profética está monotonamente marcada pela fórmula: “assim fala Javé”. É nessa posse do profeta pela palavra que se verifica aquela profunda união entre Deus e a pessoa do mensageiro, que faz com que o oráculo profético seja atribuído à Divindade. Porém, o critério seguro de tal atuação divina está na eficácia de sua palavra. (Artola, 2011, p. 27)
A atividade profética do servo de YHWH, do discípulo, é ouvir a Palavra. E por isso o Senhor o capacita com a eloquência da fala.
2.3 O servo que ensina
“Então tiraram sortes entre jovens e velhos, mestres e discípulos para designar-lhes suas responsabilidades”
1 Crônicas 25: 8 NVI
A única ocorrência do termo discípulo/Talmid que aparece no Antigo Testamento se encontra no texto de 1 Cr 25: 8. O contexto é o da organização do serviço dos cantores levitas no templo feito por Davi. Neste texto em especial, vemos a ideia de discipulado internalizada, na qual aqueles que aprenderam, ou seja, os entendidos/mestres, tinham o ofício de ensinar/discipular os novos sem experiência, representados pelo termo talmid. Segundo o professor Siqueira,
A contribuição importante desse único verso à compreensão do discipulado no AT é a dimensão do ato do aprendizado e ensino e a responsabilidade do discipular. O que aprendeu e se tornou entendido e competente, deve se tornar um discipulador, instruindo os que ainda não têm experiência e conhecimento. (Siqueira, [S.d], p. 9)
O texto apresenta a necessidade de discipular associada ao processo de ensino/aprendizagem, em que os mestres se colocam como servos/cantores de YHWH.
TEMA 3 – DISCIPULADO É O MÉTODO DE JESUS
Muito se fala sobre discipulado, mas, afinal, o que é isso? Discipulado é o método de Jesus. É o modelo que Jesus ensinou, que serve tanto para a
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expansão do Reino quanto para formação do caráter Dele em cada um. Em outras palavras, discipulado é o desenvolvimento de Cristo tanto no discípulo quanto no discipulador. É método de Jesus de formar Ele próprio nas pessoas. O termo discipulado carrega dois significados importantes:
1)
O ato de ser como o Jesus;
2)
O ato de formar Jesus nas pessoas.
A partir desses dois significados, há a construção do discipulado na vida de cada um, porém para que o ponto número dois seja uma verdade e uma realidade na vida do discípulo, o primeiro ponto também precisa ser uma realidade na vida do discipulador. “Discipular é fazer uma cópia, é compartilhar quem eu sou com alguém, se você não tem comunhão com Deus, não queremos dois de você” (Francis Chan).
Fazer discípulo faz sentido quando a vida de Cristo está sendo compartilhada primeiramente com o discipulador. Bonhoeffer (2016) afirma que:
O chamado ao discipulado é o compromisso exclusivo com a pessoa de Jesus Cristo, a subversão de odo o legalismo por meio da graça daquele que chama. É o chamado da graça, e também o mandamento da graça. Vai além do antagonismo entre lei e evangelho. Cristo chama, o discípulo simplesmente segue. Isso é graça e mandamento unidos em uma coisa só [...] o discipulado é compromisso com Cristo; porque Cristo existe, tem de haver discipulado. (Bonhoeffer, 2016, p. 34)
O discipulado é enxergar Jesus na vida de outra pessoa e ver Jesus na sua própria vida. Esse processo é importante para o amadurecimento da fé. Sem discipulado não há crescimento, nem compromisso de ser e viver como Jesus.
O discipulado é o processo pelo qual uma pessoa passa por uma jornada de transformação, é um convite para uma vida de compromisso, aprendizado e crescimento contínuo. É uma resposta à chamada de Jesus para ser como Ele, seguir seus passos, abraçar seus ensinamentos e viver uma vida que testemunha o poder transformador de Jesus.
3.1 O discipulado entre o Antigo e o Novo Testamento
O período intertestamentário, também conhecido como o período entre o Antigo e o Novo Testamento, é marcado por eventos e mudanças significativas na história do povo judeu. Durante essa época, que abrange aproximadamente quatro séculos, não encontramos textos canônicos específicos sobre discipulado
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na mesma extensão que nos Evangelhos do Novo Testamento. No entanto, algumas práticas e eventos podem ser relacionados ao contexto do discipulado.
O desenvolvimento das sinagogas foi uma característica importante do período intertestamentário. As sinagogas tornaram-se centros de ensino, estudo da Lei e culto comunitário. Embora não seja idêntico ao discipulado cristão posterior, o ambiente das sinagogas pode ter contribuído para um tipo de instrução e orientação espiritual informal (Tognini, 1987, p. 150).
A preservação e interpretação das Escrituras durante esse período também desempenharam um papel vital. Os escribas e fariseus eram frequentemente responsáveis por copiar e ensinar as Escrituras, contribuindo para a transmissão da tradição e a instrução religiosa. Embora não fosse um modelo de discipulado no sentido cristão, essa transmissão de conhecimento e compromisso com a Lei estabeleceu um fundamento importante para a compreensão futura da fé judaica (Tognini, 1987, p. 149).
No primeiro século, o discipulado era o processo pelo qual uma pessoa passava para se tornar um rabino. Os rabinos escolheriam jovens que acreditavam que poderiam se tornar rabinos no futuro. Era comum que, aos doze ou treze anos, um jovem fosse selecionado para se tornar um discípulo e depois viajasse por vários anos com seu rabino. Os rabinos frequentemente pregavam e ensinavam publicamente com um grupo de jovens que os seguiam, e a ideia era que esses jovens eram aprendizes. Você poderia chamá-los de Talmidim ou rabinos em treinamento (Tognini, 1987, p. 152).
Durante seu tempo de discipulado, os jovens estavam sendo treinados no caminho de seu rabino. Eles seriam treinados em sua teologia, sua ideologia, seu estilo de ensino, sua filosofia e como ele acreditava que os judeus deveriam viver.
A esperança dos rabinos era que, quando morressem, os jovens que haviam treinado assumiriam seu manto, sua maneira de fazer as coisas, e que depois continuassem seu legado. Essa é, em essência, a raiz e o conceito de discipulado. Os primeiros cristãos obviamente pegaram muito emprestado disso. Mas não apenas para aqueles que seriam líderes na igreja, mas para todos os crentes.
O período intertestamentário, em certo sentido, pode ser considerado como um período de transição e preparação para o contexto em que Jesus Cristo apareceria. Elementos desse período contribuíram indiretamente para a
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compreensão judaica que influenciou os ensinamentos e práticas cristãs posteriormente (Tognini, 1987, p. 160).
Embora não haja um registro explícito de discipulado no período intertestamentário, vemos elementos que podem ter contribuído para o ambiente religioso e educacional que moldou o contexto em que o discipulado cristão mais tarde floresceu. Esse período serve como uma ponte entre o Antigo e o Novo Testamento, preparando o terreno para os eventos e ensinamentos significativos que surgiriam na era seguinte (Tognini, 1987, p. 161).
3.2 Os Gregos e a visão de discipulado
Os gregos também tinham um sistema de discipulado e orientação. Eles não chamavam isso de discipulado – eles usaram terminologias diferentes. Mas os gregos mais velhos certamente tinham uma abordagem robusta de como pretendiam formar e moldar os gregos mais jovens à medida que atingiam a idade.
O objetivo não era que os jovens adultos “fossem seu próprio homem” ou de alguma forma “fossem fieis a si mesmos”, mas, em vez disso, o objetivo era que os jovens adultos fossem treinados para abraçar a sabedoria e a filosofia dos professores das gerações anteriores. Essa abordagem grega era uma espécie de discipulado. Eles estavam fazendo discípulos da cultura grega e da filosofia grega para garantir que o modo de vida grego pudesse ser propagado e florescer. E isso funcionou por muitos séculos.
Para garantir que a cultura grega florescesse, os gregos desenvolveram sua Paideia. Essa seria sua melhor defesa contra a tirania e seu melhor trunfo na propagação da cultura grega. O que é Paideia? (Diez; Marcon; Santos, 2016, p. 28).
Paideia refere-se a uma visão de mundo, um modo de vida ou conjunto de valores culturais. A palavra paideia era frequentemente usada na Grécia antiga para descrever a visão de mundo que eles acreditavam que uma pessoa precisava ter para que essa pessoa fosse uma boa cidadã grega. A paideia grega incorporou sua abordagem à educação, que estava comprometida em dar aos alunos uma ampla compreensão do mundo e estava focada em treiná-los para pensar, raciocinar e se comunicar bem (Diez; Marcon; Santos, 2016, p. 28).
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3.2.1 Platão
Platão, um dos filósofos mais eminentes da Antiguidade clássica, moldou não apenas a filosofia como disciplina, mas também influenciou profundamente seus discípulos, criando uma tradição de pensamento que ecoou através dos séculos, a partir do diálogo. Nascido em Atenas por volta de 427 a.C., Platão fundou a Academia, uma instituição que se tornaria um centro vital de ensino filosófico por mais de nove séculos (Gaardier, 1991, 96).
Seu discípulo mais notável foi Aristóteles, que frequentou a Academia por cerca de vinte anos antes de se tornar um dos maiores pensadores da história. Aristóteles absorveu a rica filosofia platônica, mas também a questionou, levando a uma divergência de ideias em áreas como epistemologia, ética e metafísica. A obra de Aristóteles, entretanto, continuou a tradição platônica enquanto desenvolvia suas próprias teorias, criando uma base para a filosofia ocidental (Gaardier, 1991, p. 96-97).
Platão não apenas moldou a filosofia por meio de suas próprias ideias, mas também criou uma linhagem filosófica distinta por meio de seus discípulos. Essa tradição, transmitida ao longo dos séculos, continua a desempenhar um papel fundamental na compreensão da natureza da realidade, do conhecimento e da ética na tradição filosófica ocidental.
TEMA 4 – DISTINÇÕES ENTRE OS DISCÍPULOS JUDAICOS E GREGOS
De certa forma, a abordagem de treinamento Paideia da Grécia antiga era de natureza mais acadêmica do que a abordagem hebraica. Alguns podem chamá-la de mais racional, ou seja, tendia a ser mais focada em aprendizado, história, gramática, lógica e retórica (Diez; Marcon; Santos, 2016, p. 28).
A abordagem do discipulado judaico certamente compartilhava alguns desses componentes gregos, mas estava mais centrada em aprender a viver como seu rabino, como se comportar, como orar, como funcionar dentro de uma família, como adorar, etc. A abordagem do discipulado judaico foi aparentemente melhor em reunir os componentes acadêmicos do discipulado com os elementos pessoais, de coração e emocionais do discipulado.
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4.1 O convite
A maioria dos rabinos no primeiro século só permitiu que seu convite ao discipulado fosse aberto aos poucos e a poucas pessoas. Foi apresentado apenas a jovens judeus que demonstraram alta inteligência e alta aptidão, mas em Marcos 8, Jesus lançou as bases para que esse convite se tornasse universal.
“Então ele chamou a multidão e os discípulos e disse: “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mc 8: 34). O versículo que nos exorta a "negar a si mesmo e tomar a cruz" está presente nos Evangelhos, sendo registrado em Mateus 16: 24, Marcos 8: 34 e Lucas 9: 23. Essas palavras são atribuídas a Jesus e encapsulam um princípio central do cristianismo, chamando os seguidores a uma entrega completa e sacrificial.
A passagem de Mateus 16: 24 (NVI) diz: "Então Jesus disse aos seus discípulos: 'Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me'".
Essa instrução de Jesus vai além da renúncia meramente material; ela toca no âmago da transformação espiritual e comprometimento total com a vontade de Deus. Vamos explorar alguns aspectos dessa declaração profunda:
1)
Negar a si mesmo: este é um chamado à renúncia do egoísmo, dos desejos egocêntricos e da busca exclusiva por interesses pessoais. Significa reconhecer que a vida não é apenas sobre nossas vontades, mas sobre viver em submissão ao propósito divino.
2)
Tomar a sua cruz: a cruz, além de ser um instrumento de sofrimento e morte na época de Jesus, simboliza o sacrifício e a entrega total. Tomar a cruz implica aceitar os desafios, as tribulações e as responsabilidades que vêm com o seguir a Cristo, independentemente do custo pessoal.
3)
Seguir a Jesus: o convite para seguir Jesus não é apenas uma jornada física, mas uma jornada espiritual e moral. Significa modelar nossa vida pelos ensinamentos e exemplos de Jesus, buscando viver de maneira justa, amorosa e alinhada com a vontade divina.
Essa passagem é um chamado à radicalidade do compromisso cristão. Ao exigir que os seguidores neguem a si mesmos e tomem a cruz, Jesus está estabelecendo um padrão elevado para a autenticidade da fé. Ele antecipa que seguir Seus passos pode envolver dificuldades e adversidades, mas também destaca que esse caminho é o caminho da verdadeira vida.
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Além disso, essa instrução reflete a inversão dos valores do mundo. Ao invés de buscar a autopreservação a todo custo, Jesus ensina que encontrar a verdadeira vida muitas vezes requer a disposição de perdê-la por causa d'Ele. É uma chamada para uma entrega que transcende as preocupações terrenas e se volta para a eternidade.
O convite de Jesus para "negar a si mesmo e tomar a cruz" é uma exortação à entrega total, uma renúncia aos interesses egoístas em favor de seguir o caminho do Mestre. É um desafio a uma fé profunda, comprometida e transformadora.
O convite de Jesus não era para imaturos, crianças na fé, e sim para homens e mulheres, judeus, gentios e pessoas de todas as nações. Não era apenas para os ricos, mas também para os pobres. Não foi apenas para aqueles que demonstram altas aptidões acadêmicas, mas para todas as pessoas de todas as esferas da vida. O chamado para ser um discípulo de Jesus está aberto.
4.2 Jesus chama para fazer discípulos
O chamado de Jesus para cada discípulo é que seja mais parecido com Ele. O chamado Dele em Mateus 28 é: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mt 28: 19-20).
O fazer discípulo de Jesus é um chamamento, uma ordem. Ele está dizendo “façam discípulos”, o verbo está no imperativo. No original grego, o façam é um verbo e nele está implícita uma ordem direta. Mas o verbo grego vão, na verdade, não é uma ordem, e sim um gerúndio (indo). O único mandamento da continuação da obra de Jesus na terra é “fazeis discípulos de todas as nações” (Wiersbe, 2006, p. 140). Em outras versões, encontramos o: ide, esse ide não está implicado por uma ordem. Na tradução para o português, ficou vão ou ide, mas no original está indo. O que isso dignifica? Que enquanto caminhamos, enquanto estamos indo, devemos fazer discípulos.
As últimas palavras de Jesus pós-ressurreição e antes da ascensão é fazei discípulos, assim a grande comissão se aplica a toda a igreja, não é exclusividade do pastor ou dos líderes. Nessa ordem estão contidos o batismo, que é a identificação pública, um ato simbólico que mostra a sua experiência espiritual e o ensino. O verbo ensinar, que Jesus aponta no texto, significa que deviam ensinar
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a viver como Jesus mandou que vivessem, ensinar a obedecer a Jesus e não apenas transferir conhecimentos.
TEMA 5 – COMO MARCOS NOS APRESENTA O DISCIPULADO?
Ao longo do Evangelho de Marcos, há vários grandes exemplos de Jesus chamando as pessoas ao discipulado. Marcos nos dá uma imagem clara do que Jesus quer dizer quando chama as pessoas para segui-lo. O discípulo é mostrado em todo o Evangelho de Marcos de várias maneiras diferentes, do início até o fim do livro.
5.1 O primeiro grupo de discípulos
Em Marcos 1: 14-20, Jesus está chamando seus discípulos. Ele está seguindo o sistema do primeiro século, quando muitos rabinos recrutavam jovens para segui-los. A esperança era que o rabino treinasse os jovens para que, uma vez que morressem ou se aposentassem, pudessem ensinar sua teologia e filosofia. Jesus está fazendo o que muitos rabinos fizeram antes dele (Wiersbe, 2006, p. 145).
Em Marcos 1: 15, Jesus diz: “É chegada a hora. O reino de Deus está próximo. Arrependa-se e acredite nas boas notícias”. Jesus previu que o Reino de Deus estava sendo inaugurado no mundo. Isso foi para que os ideais, valores e verdades de Deus estivessem agora prontos para invadir todas as sociedades e culturas do mundo. Jesus veio para virar as coisas de cabeça para baixo (Wiersbe, 2006, p. 145).
No entanto, os discípulos de Jesus foram os principais instrumentos nesse processo. Jesus diz que o Reino de Deus está chegando e, imediatamente depois, ele recruta pessoas para ajudá-lo com a missão. Em última análise, é assim que o Reino de Deus se espalha, por meio de pessoas recrutando outros para seguir Jesus e espalhar os ideais do Reino de Deus. Marcos quer mostrar que o discipulado é como o Reino de Deus, será espalhado por todo o mundo. Discipulado é chamar outros ao arrependimento e acreditar nas boas notícias (Wiersbe, 2006, p. 146).
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5.2 Levi (Mc 2.13-17)
Em todo evangelho, vemos Jesus chamando seus discípulos. Vemos uma interação única no livro de Marcos, entre Jesus e Levi, que mais tarde foi chamado de Mateus. Levi era um coletor de impostos. Ele era um judeu que havia escolhido ser empregado pelo governo romano. Como funcionário dos romanos, ele cobrava impostos dos judeus. Portanto, ele era odiado por muitos dos judeus porque representava o governo romano que os oprimia há séculos (Wiersbe, 2006, p. 150).
No entanto, como ele era judeu, ele era odiado pelos romanos. Não importa o quão bom ele fosse em seu trabalho, ele nunca seria amado e totalmente aceito pelos romanos. Ao recrutar Levi para ser um de seus discípulos, Jesus está mostrando a aceitação de seguir a Deus. Jesus está mostrando que a família de Deus transcende as barreiras étnicas e políticas. Ele estabelece o precedente de que não apenas oferecemos o convite do amor de Deus para pessoas que gostamos ou para aquelas com quem queremos nos corresponder, o convite é para todos (Wiersbe, 2006, p. 150).
Isso teria sido extremamente controverso no primeiro século, um Jesus judeu pedindo a um coletor de impostos romano para ser um de seus discípulos. Foi vergonhoso na mente dos judeus “mais zelosos” (Wiersbe, 2006, p. 150). Mas o evangelho de Jesus transcende as normas da sociedade.
5.3 A parábola do semeador e o discipulado em Mc 4: 3-20
A parábola do semeador nos ajuda a entender que o efeito produzido pela verdade depende do estado espiritual dos ouvintes (Kunz, 2014, p. 64). Na parábola, o próprio Jesus faz a interpretação, conforme apresenta Kunz (2014):

A semente: a palavra de Deus;

As aves: Satanás, tirando do coração a palavra semeada;

A pedra coberta de pouca terra, que ocasionou o rápido nascimento da semente e também a repentina morte da planta: o recebimento da doutrina sem afetar profundamente o coração;

O ardor do sol: provação e tribulação;

Os espinhos, dos quais deu quatro interpretações: os cuidados deste mundo, o engano das riquezas, os prazeres desta vida e a ambição de outras coisas;
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O êxito da semente em boa terra: o receber, entender e conservar a verdade em um coração honesto e bom (Kunz, 2014, p. 34).
Jesus dá exemplos de pessoas que respondem ao evangelho de maneiras diferentes. Algumas pessoas ouvem a palavra de Deus e respondem, algumas ouvem a palavra de Deus e ela não se enraíza, outras pessoas ouvem o evangelho e ele parece se enraizar, mas então Satanás o tira, e algumas pessoas têm corações tão endurecidos que o evangelho não pode se enraizar em nenhum sentido.
Jesus está nos dizendo que há quatro tipos diferentes de pessoas ao ouvir o evangelho. Para ajudar a discipular essas pessoas, ele nos dá maneiras de ajudá-las a receber o evangelho. A parábola ilustra os diversos estados do coração que se encontram entre os homens a quem chega a mensagem do evangelho (Kunz, 2014, p. 64).
5.4 As mulheres em Mc 16
Imediatamente depois que Jesus foi ressuscitado dos mortos, ele teve uma interação com Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé. Elas tinham vindo ao túmulo para colocar especiarias no corpo de Jesus, assumindo que ele ainda estava morto. No entanto, Jesus ressuscitou dos mortos. Elas descobrem que Jesus não está no túmulo.
Elas então são encontradas por um homem de manto branco, que na verdade era um anjo. O anjo diz a elas: “Não se assustem. Vocês estão procurando Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ele não está aqui! Ele ressuscitou dos mortos'” (Marcos 16: 6). Bem aqui, o anjo dá instruções específicas para ir contar aos outros discípulos as boas novas, e especificamente para Pedro.
As mulheres foram as primeiras a anunciar a mensagem gloriosa do evangelho da ressurreição. Maria Madalena correu para contar a Pedro e João o que acontecera. E foi para ela que Jesus apareceu (Mc 16: 9) (Wiersbe, 2006, p. 215-216). E depois Jesus apareceu para outras mulheres (Mt 28: 9-10).
As mulheres tiveram um encontro com o próprio Jesus e nunca mais foram as mesmas, porque quando o verdadeiro discípulo se encontramos a verdade de Jesus (mestre), corajosamente contará isso ao mundo.
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5.5 Marcos o discípulo
Marcos foi originalmente recrutado por Paulo e Barnabé para ir em missões com eles, mas Marcos os abandonou e desistiu durante a primeira jornada missionária (Atos 13). Mais tarde, Barnabé queria dar a Marcos uma segunda chance de trazê-lo junto na segunda jornada missionária, mas Paulo discordou veementemente. Paulo não acreditava que Marcos tinha o que era necessário para ser um discípulo. Então, eles acabaram se separando. Barnabé levou Marcos em uma viagem missionária para um local diferente de Paulo que levou Silas (Atos 15) (Wiersbe, 2006, p. 603)
A história da igreja nos ensina que Marcos é muito bem-sucedido com Barnabé e, eventualmente, voltou para Israel, onde serviu sob o comando do apóstolo Pedro. Na verdade, a maioria dos estudiosos acredita que o evangelho de Marcos foi escrito principalmente quando ele estava servindo sob o discipulado do apóstolo Pedro. Em essência, o evangelho de Marcos também é, de certa forma, o evangelho de Pedro.
Marcos mostra que qualquer pessoa pode fazer grandes coisas em nome de Deus, se estiver disposto a ser disciplinado e orientado por discípulos com o coração voltado para Deus. Neste caso, Pedro e Barnabé acabam dando um grande exemplo de discipulado a Marcos.
FINALIZANDO Chegamos ao final desta etapa, na qual tivemos a oportunidade de relembrar conceitos importantes para o entendimento do desdobramento da relação que existe entre o discípulo e o discipulado. Eles representam não apenas um aspecto fundamental da tradição cristã, mas também um chamado contínuo à jornada de fé e crescimento espiritual. Ao longo da história, os discípulos têm sido desafiados a seguir os passos de Jesus Cristo, aprendendo com seu exemplo de amor, serviço e sacrifício. O discipulado é, portanto, mais do que um simples conceito teológico; é um convite para uma vida transformada, dedicada a conhecer, amar e servir a Deus e ao próximo.
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REFERÊNCIAS
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TEMA 1 – DISCÍPULO NO NOVO TESTAMENTO
O Novo Testamento traduz a palavra discípulo do grego Mathetês:
24 Então Jesus disse aos discípulos: Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.
25 Pois quem quiser preservar sua vida, irá perdê-la; mas quem perder a vida por minha causa, este a preservará.
26 Pois que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a vida? Ou, que dará o homem em troca da sua vida?
27 Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um segundo suas obras.
28 Em verdade vos digo: Alguns dos que estão aqui de modo nenhum provarão a morte até que vejam o Filho do homem vindo no seu reino. (Mateus 16.24-28/ Bíblia Almeida Século XXI)
1.1 Estudo indutivo
Citação
Texto
Significado
Mateus 16.24
Então Jesus disse aos discípulos: Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.
Aprendiz, pupilo,
aluno, discípulo.
João 8.31
Jesus dizia aos judeus que haviam crido nele: Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos;
Aprendiz, pupilo,
aluno, discípulo.
Mateus 27.57
Ser discípulo de alguém, seguir seus preceitos e
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Ao cair da tarde, um homem rico chamado José, que também era discípulo de Jesus, veio de Arimateia.
instruções, tornar discípulo, ensinar, instruir.
1.2 Descrição provisória
No Novo Testamento a palavra discípulo é a tradução do grego mathetes, (μαθητής), que está relacionada com a palavra manthano (“aprender”) e significa “aprendiz, aluno, adepto”, traz a ideia de pupilo, ser instruído e ensinado. A palavra aparece aproximadamente 80 vezes só no Evangelho de Mateus, e tanto nas versões NTLH, NVI e Almeida sec. XXI a palavra é traduzida como “como aqueles que seguiam a Jesus”, A única exceção é Mt 10.24,25, que é um ensino sobre a relação de grandeza entre discípulo e mestre (Martins, 2017, p. 20).
1.3 Consulta em outras fontes
1.3.1 Dicionário VINE
Mathetes (μαθητή ς), literalmente, “aprendiz” (derivado de manthanõ, “aprender”, proveniente de uma raiz math-, que indica pensamento acompanhado por esforço). Um “discípulo” não era somente um aluno, mas um partidário; por conseguinte, falava-se que eles eram imitadores do mestre (cf. Jo 8.31; 15.8). O verbo matheteuõ é usado na voz ativa, no intransitivo, em alguns manuscritos, em (Mt 27.57), no sentido de ser o “discípulo” de uma pessoa; porém, aqui os melhores manuscritos têm a voz passiva, literalmente, “tinha sido discípulo”, como em (Mt 13.52) (“escriba”), “aquele que tinha sido discípulo”. É usado neste sentido transitivo, na voz ativa, em (Mt 28.19 e At 14.21) (Vine; Unger; William Jr. 2002, p. 569).
1.3.2 Concordância fiel do Novo Testamento
Discípulo – cf. Embaixador (Concordância..., 1994, p. 187).
1.3.3 Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento
O verbo manthanõ ocorre apenas 25 vezes no NT, e apenas 6 vezes nos Evangelhos, onde se poderia esperar que ocorresse mais frequentemente como marca do discipulado. (3 vezes em Mateus, 1 vez em Marcos, 2 vezes em João; Lucas o emprega uma só vez, em Atos). O substantivo mathetês ocorre 264 vezes no NT, exclusivamente nos Evangelhos e Atos. Emprega-se para indicar total devoção a alguém, no discipulado (Coenen; Brown, 2000, p. 583-584).
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1.3.4 Dicionário Ilustrado da Bíblia
Estudante, aprendiz ou pupilo. Na Bíblia, a palavra é muitas vezes usada para se referir a um seguidor de Jesus. A palavra é raramente usada no Antigo Testamento. Isaías usou o termo discípulos para se referir àqueles que eram ensinados ou instruídos (Is 5.16). Essa palavra é, por vezes, usada de maneira mais específica para indicar os doze discípulos (Mt 10.1; 11.1; 20.17; Lc 9.1; os doze, ARA). De modo geral, os apóstolos correspondem a um grupo mais íntimo dos seguidores de Jesus: os discípulos referem-se a um grupo maior de seguidores do Mestre, tais como as mulheres que observavam Jesus na cruz e que descobriram o sepulcro vazio (Youngblood, 2004, p. 424).
TEMA 2 – MENINOS EM ISRAEL Os meninos em Israel iniciavam os estudos bem cedo: o primeiro estágio era chamado de Beit Sefer. Essa é uma expressão em hebraico que se refere a uma escola ou casa de estudos, e tem grande relevância no contexto educacional judaico. Conforme as tradições judaicas, Beit Sefer é um espaço onde crianças e jovens estudam os princípios da fé judaica, as escrituras sagradas, e aprendem sobre a cultura judaica. Segundo Kivitz (2016, p. 7) nesse primeiro estágio: 6 anos 10 anos 14 anos os meninos decoravam a Torá, os cinco primeiros livros da Bíblia: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio Aos dez anos quando iniciavam o segundo estágio, chamado de Beit Talmud, já haviam decorado toda a lei de Moisés. Passavam então a estudar e decorar os livros históricos, poéticos, de sabedoria e os profetas de Israel Aos 14 anos, os meninos já haviam decorado o que hoje chamamos de Antigo Testamento, a Bíblia Hebraica” A preservação da língua hebraica, a leitura das escrituras sagradas, o estudo dos textos religiosos e a discussão de princípios éticos são algumas das atividades típicas realizadas em um Beit Sefer. O ambiente informal e acolhedor dessas instituições visa criar uma comunidade de aprendizado onde os
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estudantes se sintam conectados e engajados com sua herança cultural e religiosa. Assim, ao atingir os 14 anos de idade, os meninos mais notáveis eram selecionados e designados para dar continuidade aos estudos sob os cuidados de algum rabino, para que aprendessem aos seus pés. Os meninos escolhidos eram chamados de Talmidim, conceito que o Novo Testamento traduz por discípulos. No singular, talmid (Kivitz, 2016, p. 7). O menino Jesus foi um desses meninos, capaz de maravilhar os rabinos: aos 12 anos de idade, além de decorar, compreender, citar, Jesus interpretava a Lei. Conforme o relato de Lc 2.46,47, “depois de três dias o encontraram no templo, sentado entre os mestres, ouvindo-os e fazendo-lhes perguntas. Todos os que ouviam ficavam maravilhados com o seu entendimento e com as suas respostas”. Mas Jesus também passou a ser chamado de mestre, rabi, rabino, e assim, começou a ter discípulos, condição essa que começou a incomodar os rabinos, pois os talmidim seguiam um ditado da época: “deixem-se cobrir pela poeira dos pés do seu rabino”. Kivitz explica que, ao andar tão próximos do seu mestre, ao final do dia estariam cobertos pela poeira dos pés do rabino. Dessa forma, os meninos talmidim deviam seguir, observar, ouvir o seu rabino com o objetivo de se tornarem iguais a eles (Kivitz, 2016, p. 8).
TEMA 3 – DISCIPULADO
Se sua escolha for pelo discipulado, é porque algo mais encantador que o espelho cativou sua alma. Por isso, o discipulado começa com a admiração por Cristo e se transforma na imitação diária de Cristo, a ponto de sermos admirados por outras pessoas, não, obviamente, por quem somos, mas por quem imitamos. (FILHO, In: O custo do discipulado, 2019, p. 10).
A palavra discipulado possui dois sentidos: o primeiro refere-se ao ato de seguir a Jesus, e o outro refere-se ao ato de ajudar alguém a seguir a Jesus. No primeiro caso, imito a Cristo, no segundo ajudo outras pessoas a imitarem Cristo. Diante dessa afirmativa, podemos concluir que quem não segue a Jesus não pode ajudar pessoas a seguirem a Jesus. Todo o discipulado gera uma decisão, e toda decisão implica um custo. Seguir a Jesus é uma decisão, logo tem um custo. Jesus responde sobre o custo de segui-lo em Lucas 14.25-35:
²⁵ Uma grande multidão ia acompanhando Jesus; este, voltando-se para ela, disse:
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²⁶ "Se alguém vem a mim e ama o seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos e irmãs, e até sua própria vida mais do que a mim, não pode ser meu discípulo.
²⁷ E aquele que não carrega sua cruz e não me segue não pode ser meu discípulo.
²⁸ "Qual de vocês, se quiser construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o preço, para ver se tem dinheiro suficiente para completá-la?
²⁹ Pois, se lançar o alicerce e não for capaz de terminá-la, todos os que a virem rirão dele,
³⁰ dizendo: ‘Este homem começou a construir e não foi capaz de terminar’.
³¹ "Ou, qual é o rei que, pretendendo sair à guerra contra outro rei, primeiro não se assenta e pensa se com dez mil homens é capaz de enfrentar aquele que vem contra ele com vinte mil?
³² Se não for capaz, enviará uma delegação, enquanto o outro ainda está longe, e pedirá um acordo de paz.
³³ Da mesma forma, qualquer de vocês que não renunciar a tudo o que possui não pode ser meu discípulo.
³⁴ "O sal é bom, mas se ele perder o sabor, como restaurá-lo?
³⁵ Não serve nem para o solo nem para adubo; é jogado fora. "Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça". Lucas 14:25-35
Conforme Madureira (2019), os motivos pelos quais há impedimentos para seguir a Jesus, estão destacados no texto.
Quem não pode ser um discípulo de Jesus?
1. Quem amar a própria vida
2. Quem não levar a sua cruz
3. Quem não renunciar
3.1 Quem ama mais a própria vida
Já entendemos que um discípulo é um aprendiz, alguém que está perto do mestre a fim de aprender. O discipulado é uma decisão diferenciada, porque se refere a pessoas que estão dispostas a pagar um preço. O verdadeiro discípulo de Jesus ama. Qual é o seu time de futebol preferido? Como você o ama? Podemos amar determinadas coisas como se elas fossem algo que elas não são. E o que isso tem a ver com o discipulado?
No discipulado de Jesus, Ele exige que nos tornemos semelhante a Ele. “A ideia não é que o discípulo que ama, reflete as características ou atributos do objeto da adoração” (Beale, 2014, p. 12).
3.2 Quem não levar a sua cruz
O que significa carregar a cruz, nos dias de hoje? Significa dia a dia aproximar-se de Cristo, entregando as suas dores, seus sofrimentos, suas vontades, aos seus pés. Significa morrer para si mesmo, para os planos e
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ganâncias desse mundo, e estar dispostos a aprender com a vida do mestre. Quando Jesus usou essas afirmações, ele estava a caminho de Jerusalém, ou seja, estamos falando aqui de alguém que sabe o que é verdadeiramente o significado de carregar uma cruz. A cruz era sinônimo de humilhação e rejeição, só os banidos pela sociedade carregavam uma cruz.
3.3 Quem não renunciar
A ideia de renúncia está ligada à disposição de abrir mão, das prioridades mundanas, como riquezas materiais, ambições egoístas e até mesmo laços familiares, em prol de um relacionamento mais profundo com Deus. Essa renúncia representa um compromisso de priorizar os valores espirituais sobre os temporais.
Renunciar tudo para seguir a Jesus é um princípio fundamental no ensinamento cristão, refletindo a chamada à entrega total ao serviço divino. Ao longo dos séculos, muitos indivíduos exemplificaram essa renúncia em suas vidas, dedicando-se ao serviço, à caridade e à propagação do Evangelho. O exemplo mais marcante é encontrado nos próprios apóstolos de Jesus, que deixaram suas carreiras, famílias e seguranças para segui-Lo. Esse ato de renúncia não apenas os transformou como indivíduos, mas também impactou profundamente a disseminação da mensagem cristã.
A renúncia para seguir a Jesus também traz consigo a promessa de uma vida plena e significativa, enraizada na comunhão com Deus e na participação ativa na construção do Seu Reino na Terra. Jesus, ao falar sobre a renúncia, promete recompensas espirituais e uma vida abundante, sugerindo que o que se perde neste mundo é superado pelo que é ganho na esfera espiritual.
Assim, renunciar tudo para seguir a Jesus é um desafio radical, mas também uma jornada de transformação e plenitude espiritual. É uma resposta ao chamado divino para uma vida de fé, serviço e amor, moldada pela convicção de que seguir a Jesus é o caminho para a verdadeira realização e propósito.
TEMA 4 – DISCÍPULO – QUEM É ELE AFINAL?
No sentido real da palavra, discípulo é um aluno ou seguidor, aquele que se submete aos ensinos de alguém, que trilha o mesmo caminho, que usa das mesmas ideias do seu mestre. Ele procura conhecer, praticar e aplicar o mesmo modo de vida e a filosofia de vida do seu mestre.
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Solonca (1993, p. 27) descreve o discípulo como alguém “disposto a deixar-se moldar tanto por seus pensamentos quanto por suas ações”. É seguindo essa linha de pensamento, buscando o envolvimento e o desenvolvimento das relações entre si, que os “doze” amigos de Jesus foram um a um sendo convocados, tomados de um espírito profundo de amor, obediência e respeito: “Jesus chamou os doze discípulos e lhes deu poder e autoridade para expulsar todos os demônios e curar doenças. Então os enviou para anunciarem o Reino de Deus e curarem os doentes” (Lucas 9.1,2). Em Mateus 10.2-4, Jesus os chama: “Estes são os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o zelote, e Judas Iscariotes, que o traiu”.
Esses homens foram ensinados, treinados para alcançar outras pessoas, em conformidade com a ordem de Jesus em Mateus 28.18-20. Ali, Jesus, sabendo que seria a última vez que estaria junto com seus discípulos, deixa a sua ordem final, ordem que implicaria todas as energias de seus seguidores no trabalho a ser realizado dia após dia, por onde andassem: “portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo que eu lhes ordenei”.
O mandamento é claro: “vão e façam discípulos”. Isto é, ensinem outras pessoas a obedecer às ordens de Jesus, andem com elas, acompanhem suas vidas, até o amadurecimento de seu caráter, a fim de que sejam capazes de gerar mais seguidores, visando o fortalecimento do corpo de Cristo, a Igreja.
4.1 O que faz um discípulo?
4.1.1 Ele faz uma escolha
O discípulo faz uma escolha, que envolve uma disponibilidade para pagar um preço alto, por um objetivo mais alto ainda. Sua escolha o torna uma pessoa voluntária. Tal escolha, em momento algum lembra uma obrigação ou peso, mas com alegria em seu coração deseja seguir seu mestre. Cristo chama e o discípulo simplesmente escolhe segui-lo.
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4.1.2 Ele visualiza as coisas do alto
O discípulo visualiza as coisas do alto e aplica em primeiro lugar na sua vida e depois usa desse mesmo método para atingir e fazer outros discípulos, seus atos são o resultado de um andar corajoso com Cristo, produzindo frutos, multiplicando, compartilhando com persistência a visão de Jesus. O que torna sua missão comprometida com os propósitos do coração do mestre.
4.1.3 Ele segue os passos do mestre
Ao contrário da multidão e dos curiosos que seguiam a Jesus porque desejavam algo que Ele poderia dar, os discípulos escolheram segui-lo movidos pelo amor. Essa relação discípulo/mestre deixava claro o tipo de relacionamento que eles teriam. Ao seguir os passos do mestre, o discípulo deveria se deixar cobrir pela poeira dos seus pés. Essa era a proposta ousada de Jesus, que foi adotada por alguns discípulos relevantes do NT, como Timóteo, por exemplo. Timóteo foi discipulado por Paulo, conforme 2 Tm 3.10,11: “você tem seguido de perto o meu ensino, a minha conduta, o meu propósito, a minha fé, a minha paciência, o meu amor, a minha perseverança, as perseguições e os sofrimentos que enfrentei”.
4.1.4 Ele aceita as instruções
Uma das principais características do discípulo é que ele aceita as instruções. Ao fazer isso, ele decide não ditar as regras de como as coisas deveriam funcionar, mas acredita com confiança absoluta nos ensinos de Jesus, como afirma Michael Horton, “o primeiro sinal do discipulado era a aceitação dos ensinos de Jesus a respeito de si mesmo” (Martins, 2017, p. 22).
4.1.5 Ele é comprometido
O discípulo está totalmente comprometido com Jesus Cristo, ele foge do legalismo e da religiosidade e tem convicção que o silêncio não é mais uma opção, mas sim mergulhar no discipulado com fé, coragem e obediência.
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TEMA 5 – DISCÍPULO E MISSÃO
Missão é a razão da existência de algo, ou papel desempenhado por alguém. Seguindo um ponto de vista tradicional, há uma tendência de igualar os papéis, quando se fala de:

Missão e evangelismo

Missionários e evangelistas

Missão e programas evangelísticos
Esses conceitos foram fixados pelo senso comum como sendo a mesma coisa. Mas Jesus apresenta algumas peculiaridades quando se trata da missão e afirma que ela também é coletiva, mas ao definir a missão, Ele o faz mais de uma vez de maneira individual, para cada um que o chama de Senhor.
Stott (2010, p. 27) nos ajuda a entender que “Jesus fez mais do que traçar um paralelo vago entre sua missão e a missão do cristão. Precisa e deliberadamente, ele fez de sua missão um modelo para a nossa, dizendo: ‘assim como o Pai me enviou, eu também vos envio’”.
Assim, missão diz respeito ao povo de Deus redimido, que aceita cumprir a ordem de ir e fazer discípulos e tornar Jesus conhecido entre as nações. Essa ordem é encontrada no evangelho de Mateus: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei” (Mt 28.19,20).
5.1 Teologia de Missões
A grande comissão foi a última ordem dada por Jesus Cristo a sua igreja de ir e fazer discípulos.

Atos 1.8 = IDE VOluntário

Atos 8.1 = IDE INvoluntário (foram porque estavam sendo perseguidos, mas enquanto iam, pregaram a Palavra).
Conotações da palavra “MISSÃO”: ENVIO:
Pai → Filho → Espírito Santo → EU
a. Alguém que envia: é superior e tem autoridade para isso;
b. Alguém que é enviado em missão: investido de autoridade para realizar algo pelos destinatários ou mesmo pelos próprios enviadores;
c. Objeto da missão.
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Até o século 16, afirma Nascimento (2015), “o termo missão era usado para se referir a doutrina da Trindade. Segundo ela, os jesuítas foram os primeiros a utilizar o termo para se referir à difusão da fé entre pessoas, incluindo protestantes, que não eram membros da Igreja Católica” (Nascimento, 2015, p. 34).
As missões do século 16 também foram intrinsecamente ligadas aos interesses políticos e econômicos das potências coloniais europeias. A disseminação do cristianismo frequentemente acompanhava a expansão do poder colonial, e as missões desempenhavam um papel na consolidação do domínio europeu sobre terras recém-descobertas. Os jesuítas, em particular, destacaram-se como uma ordem missionária influente durante esse período (Nascimento, 2015, p. 34).
O período colonial foi o grande responsável pelo avanço das missões, mas também por conflitos entre culturas. A imposição de crenças religiosas, práticas culturais e estruturas sociais europeias nem sempre foi bem recebida pelas comunidades locais, resultando em tensões e resistência, tornando o evangelho um instrumento reducionista (Nascimento, 2015, p. 50).
5.2 Contextualização missionária
Na obsessão de evangelizar, muitas vezes o outro é tratado como o objeto da missão, numa prática missionária colonialista, reforçada por uma negação da identidade e alteridade do outro. Forte (1991) nos ajuda a entender quem é o outro: o outro é sujeito e nunca será objeto da missão. E sendo o sujeito, ele é passível de um encontro, onde o coração do homem se abre à verdade, e a verdade ao coração do homem (Forte, 1991, p. 12).
5.3 Etnocentrismo missionário
De acordo com John Wesley, “A Igreja não muda o mundo ao gerar novos membros, mas muda o mundo ao gerar novos discípulos de Jesus”.
Menezes (1999, p. 19) propõe uma definição de etnocentrismo: “é um preconceito que cada sociedade ou cada cultura produz, ao mesmo tempo que procura incutir em seus membros normas e valores peculiares. Se sua maneira de ser e de proceder é a certa, então as outras estão erradas, e as sociedades que as adotam constituem ‘aberrações’”.
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O etnocentrismo missiológico se manifesta quando uma cultura ou grupo religioso julga as práticas e crenças de outros com base em seus próprios padrões culturais. Este pode ser um obstáculo significativo para a eficácia das missões, pois carrega consigo vários perigos que podem comprometer o propósito fundamental da missão, que é compartilhar a mensagem de amor e alteridade (Menezes, 1999, p. 19).
5.3.1 Perigos
5.3.1.1 Imposição cultural
Um dos perigos mais evidentes do etnocentrismo missiológico é a imposição cultural. Quando missionários tentam impor suas próprias tradições, formas de culto e estruturas eclesiásticas sobre uma comunidade diferente, isso não apenas mina a riqueza da diversidade cultural, mas também pode ser percebido como uma forma de colonização cultural. Isso pode levar a resistência e, em última instância, ao fracasso da missão (Nascimento, 2015, p. 7).
5.3.1.2 Falta de sensibilidade cultural
Outro perigo é a falta de sensibilidade cultural. O etnocentrismo pode levar a uma compreensão inadequada das práticas locais, crenças e valores, resultando em esforços missionários que não respeitam a identidade cultural da comunidade. Isso pode gerar conflitos, mal-entendidos e uma recepção negativa à mensagem que está sendo compartilhada (Menezes, 1999, p. 19).
5.3.1.3 Marginalização cultural
O etnocentrismo missiológico pode contribuir para a marginalização de culturas consideradas “diferentes” ou tidas como inferiores. Isso contradiz a essência da mensagem cristã, que prega a igualdade e o amor para com todos. O desrespeito à diversidade pode criar barreiras, prejudicar relações e perpetuar estereótipos prejudiciais a missão (Meneses, 1999, p. 19). Conforme Menezes (1999, p. 19), “a identificação de um indivíduo com sua sociedade induz à rejeição das outras”.
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5.4 Ressignificando a missão
Para superar esses perigos, é crucial adotar uma abordagem mais inclusiva e contextualizada nas missões: a inculturação. De acordo com Menezes (1999), “missionários católicos foram muito influenciados pela Antropologia para corrigir o tradicional proselitismo que identificava evangelização com destruição radical das culturas diferentes, e adotaram a linha da assim chamada ‘inculturação’” (Menezes, 1999, p. 23).
Os missionários precisam dedicar tempo para compreender profundamente a cultura local, ouvir atentamente as histórias e perspectivas dos habitantes, e reconhecer que diferentes contextos exigem abordagens adaptadas, pois a prática de uma missiologia contextual respeita a autonomia e a riqueza cultural das comunidades locais. Isso promove uma abordagem colaborativa, em que a troca de experiências e aprendizados é valorizada, criando uma base mais sólida para o entendimento e aceitação mútua.
Em resumo, ao se libertar de perspectivas exclusivistas, os missionários podem contribuir para a construção de pontes culturais, abrindo espaço para um diálogo autêntico e uma comunicação eficaz da mensagem que desejam compartilhar:
As missões não representam o alvo principal da Igreja, a adoração sim. As missões existem porque muitas vezes a adoração foi deixada de lado. Quando esta era se encerrar e os incontáveis milhões de redimidos estiverem perante o trono de Deus, não haverá mais missões. Elas representam uma necessidade temporária, mas a adoração é permanente (John Piper)
FINALIZANDO Chegamos ao final desta etapa e vimos que o NT oferece um retrato profundo e abrangente do que significa ser um discípulo de Jesus Cristo. Nos relatos dos Evangelhos e nos ensinamentos dos apóstolos, somos convidados a seguir os passos de Jesus, comprometendo-nos com uma vida de fé, amor e serviço. Ser um discípulo no Novo Testamento implica uma entrega total a Cristo, buscando imitar seu caráter, obedecer a seus ensinamentos e compartilhar seu amor redentor com o mundo ao nosso redor. É um chamado não apenas para uma crença intelectual, mas para uma transformação radical da vida, respeito mútuo e um novo olhar moldado pela graça e pelo poder de Jesus.
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TEMA 1 – WILLIAM CAREY, PIONEIRO NA ÍNDIA E PAI DAS MISSÕES MODERNAS
William Carey (1761-1834) é frequentemente considerado o pai das missões modernas. Nascido na Inglaterra, Carey foi um destacado missionário, linguista, botânico e ministro batista cujo impacto de atuação transcendeu as fronteiras geográficas e culturais de sua época. Sua vida é um testemunho inspirador de dedicação, paixão e visão para levar o evangelho a lugares distantes (Carey, 1987, p. 286).
1.1 Carey antes de se tornar um missionário
Antes de se tornar um missionário, Carey levou uma vida normal e simples. Trabalhou como sapateiro e exerceu essa profissão dos 16 aos 28 anos de idade. Seu pai era um tecelão e, durante a infância, não podendo mexer com flores por problemas alérgicos, iniciou o aprendizado de sapateiro. Converteu-se aos 18 anos e ingressou na Igreja Batista, onde desenvolveu o hábito de estudar a Bíblia, nas suas horas livres. Aos 19 anos, casou-se com Dorothy. Ela era cinco anos mais velha que ele, não sabia ler e logo desenvolveu um temperamento difícil. Além de problemas no casamento, Carey também tinha problemas econômicos: com a morte do seu patrão, ficou responsável pela mulher dele e suas quatro crianças (Carey, 1987, p. 286).
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1.2 Pastor e sapateiro
Como mencionado, William Carey atuou desde cedo como sapateiro, além de suas funções como pastor e professor, na sua pequena aldeia. Mas, só em 1785 ele foi convidado para ser pastor de uma pequena igreja batista, passando depois para uma igreja maior, em Leicester, mas mantendo sempre as outras profissões ativas, para sustentar a família (George, 1997, p. 21). Seu interesse por idiomas e missões o impulsionou a estudar intensivamente outras línguas: ele aprendeu hebraico, grego, latim, sânscrito, bengali e hindi. Esse domínio linguístico tornou-se uma ferramenta crucial em seus esforços missionários (Carey, 1997, p. 286-288).
1.3 Coração missionário
O coração missionário de Carey foi despertado durante uma reunião em que ouviu um sermão que proclamava a responsabilidade dos cristãos de levar o evangelho a todas as nações. Seu famoso lema “Espero que você tenha chamas nos pés” reflete seu zelo ardente para compartilhar a mensagem de Cristo com aqueles que nunca a tinham ouvido (Carey, 1987, p. 286-288).
Em 1792, Carey fundou a Sociedade Missionária Batista, uma organização dedicada ao avanço das missões globais. Seu primeiro destino missionário foi o interior da Índia, onde enfrentou desafios significativos, incluindo a perda de seus filhos e os obstáculos linguísticos. Logo depois, foi para Malda, onde se dedicou a aprender a língua bengali e se aventurou na tradução do Novo Testamento para essa língua, no que, de início, não logrou êxito. As adversidades e o fracasso na tradução, porém, não foram impedimentos para que ele desanimasse, pelo contrário: ele refez a tradução até que ela pudesse ser compreendida pelo povo bengalês. Carey permaneceu firme em sua convicção de que o evangelho deveria ser proclamado em todas as culturas.
O trabalho de Carey na Índia foi multifacetado. Além de seu envolvimento direto na pregação e plantação de igrejas, ele também foi pioneiro em iniciativas educacionais e trabalhos sociais. Contribuiu significativamente para o desenvolvimento da língua bengali, traduzindo a Bíblia e outros textos sagrados para tornar as Escrituras acessíveis aos locais. Carey deixou Malda no ano de 1800 e foi para Serampore, território dinamarquês, perto de Calcutá, onde
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permaneceu até o fim da vida. Ruth Tucker (1996, p. 125) escreve sobre esse tempo do missionário em Serampore:
A evangelização era também uma parte importante do trabalho em Serampore e um ano após o estabelecimento da missão os missionários se alegraram com o primeiro convertido. No ano seguinte houve mais convertidos, mas de modo geral a evangelização progrediu lentamente. Cerca do ano 1818, depois de 25 anos de missões batistas na Índia, havia mais ou menos 600 convertidos batizados e mais alguns milhares que compareciam às aulas e cultos.
O legado de Carey transcende suas atividades missionárias imediatas. Seu exemplo influenciou gerações posteriores de missionários e inspirou movimentos missionários mais amplos. Sua ênfase na responsabilidade cristã de se envolver na obra missionária e seu compromisso com a aprendizagem e respeito pelas culturas estrangeiras deixaram uma marca duradoura.
1.4 Impacto
William Carey faleceu em 1834, mas o impacto de sua obra missionária continua a ressoar. Sua vida é um chamado à coragem, persistência e dedicação na busca do avanço do evangelho. A influência de Carey transcendeu fronteiras geográficas, estabelecendo um padrão elevado para o que significa ser um verdadeiro missionário, comprometido não apenas com a disseminação da fé, mas também com o amor e a prestação de um serviço prático aos necessitados. Ele foi o primeiro missionário na Índia e o primeiro pregador batista a acreditar que a grande comissão encontrada em Mateus (Bíblia, Mt. 28, vers. 18-20) era um comando vinculativo de todas as gerações de cristãos. Ele é conhecido por traduzir toda a Bíblia para o bengali e transformar a cultura local, por meio dos negócios e da educação.
TEMA 2 – ADONIRAM E ANN JUDSON, PIONEIROS DE MISSÕES NO EXTERIOR Adoniram e Ann Judson foram os primeiros missionários americanos enviados para o exterior para servir no campo missionário na Índia e na Birmânia (agora conhecida como Myanmar). Adoniram, então, estava com 25 anos e Ann, com 23 e eles levaram quatro meses viajando de navio da América do Norte até a Índia, onde ficaram até conseguirem a autorização necessária para viajarem até
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a Birmânia, em que se hospedaram na missão batista liderada por Guilherme Carey. Tanto Adoniram quanto Ann trabalharam na tradução da Bíblia para o birmanês até que Adoniram foi jogado na prisão quando acusado de ser um espião, durante a Primeira Guerra Anglo-Birmanesa. Ann, conhecida como a mãe das missões modernas, lutou para tirar o marido da prisão indo a todos os tribunais do governo, aumentando a conscientização e escrevendo livros sobre ser missionária em um país estrangeiro. Suas histórias refletem que é Deus quem planta a semente e a faz crescer.
2.1 Chamado missionário e serviço no Sudeste Asiático Adoniram e Ann Judson foram enviados como missionários batistas para a Birmânia (atual Myanmar) em 1813. Eles enfrentaram uma série de desafios, incluindo o bebê que Ann esperava ter nascido morto, ocasião em que ela não recebeu ajuda nem de um médico, nem de uma enfermeira – apenas Adoniram esteve ao lado da esposa (Yates, 2001, p. 9). Isso sem contar com toda a hostilidade cultural, as dificuldades linguísticas e a perseguição religiosa. No entanto, perseveraram em seu chamado, trabalhando incansavelmente para traduzir as Escrituras para o birmanês e estabelecer igrejas locais. Os birmaneses eram budistas. Eles eram missionários cristãos e encontraram muitas dificuldades de serem aceitos, principalmente por causa da língua. Adoniram sabia que outros cristãos já haviam sofrido com duras perseguições e até mesmo torturas, na Birmânia (Yates, 2001, p. 9).
2.2 O estudo da língua O casal Judson ficou hospedado com Félix Carey, morando na Casa da Missão. Logo, Adoniram foi procurar um professor que concordasse em ensinar-lhes o birmanês, conforme Yates (2001, p. 10), para quem: a maior dificuldade foi fazer com que concordasse em ensinar a Ana. As mulheres não eram muito consideradas naquele país, e ele precisou vencer o preconceito para aceitar a presença de Ana nas aulas. Que dificuldade! O professor não falava uma palavra sequer em inglês. Eles não falavam birmanês. Só começaram a se entender quando Adoniram teve a ideia de apontar os objetos que estavam à sua volta, para que o professor falasse os seus nomes. Adoniram e Ana repetiam os sons, procurando gravá-los. Foi assim que aprenderam o nome das coisas mais comuns à sua volta, tais como alimentos, árvores, plantas, etc. Dessa maneira, começaram a descobrir formas de se comunicar.
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Depois de reconhecerem os sons de algumas palavras, o casal começou o estudo da parte escrita e descobriram que a língua era fácil de escrever e difícil de ler. Então, resolveu criar um dicionário e iniciou os estudos para a tradução do livro de Mateus (Yates, 2001, p. 12). Um dos legados mais duradouros dos Judsons é sua tradução da Bíblia para o birmanês. Eles investiram décadas nesse trabalho monumental, superando obstáculos significativos para tornar as Escrituras acessíveis ao povo birmanês. Sua tradução da Bíblia desempenhou um papel crucial na disseminação do evangelho na região e teve um impacto duradouro, também, na língua birmanesa.
2.3 Tentativas de evangelismo
Os dias foram passando e as tentativas de evangelização ficando cada vez mais frustrantes: além de elas não produzirem nenhum resultado, o povo não queria abandonar a sua própria religião. Ann fazia tentativas de falar de Jesus para as mulheres, que não respondiam a isso positivamente, como cita Yates (2001, p. 12): “A sua religião é boa para você; a nossa é boa para nós”, argumentavam as birmanesas. Já Adoniram fazia suas investidas de evangelismo no seu novo professor, um ex-sacerdote budista, de nome U Aung Min. Adoniram, em certa ocasião, iniciou uma conversa sobre a fé em Jesus Cristo. A resposta do professor, depois de uns minutos de introspecção foi: “Eu nunca vou crer nisso que me diz, Sr. Judson!” (Yates, 2001, p. 12).
Mas, nenhuma decepção impediu o casal de continuar tentando e, depois de quatro anos, veio o primeiro fruto do seu trabalho missionário: Adoniram levara 9 anos para batizar 18 birmaneses. Contudo, depois do primeiro ano da guerra, foram batizados 242 birmaneses e 113 estrangeiros ali residentes (Yates, 2001, p. 38).
2.4 Influência e legado
O trabalho dos Judsons teve um impacto profundo na história missionária global. Como parte dessa história, contam-se perda de filhos, enfermidades, morte de Ann, intolerância religiosa e prisão; mas suas experiências na Birmânia inspiraram muitos outros missionários a se dedicarem ao trabalho transcultural, e seu exemplo de sacrifício e compromisso tornou-se um modelo para gerações futuras de missionários, em todo o mundo.
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O legado dos Judsons continua a ser celebrado e honrado até hoje. Eles são amplamente reconhecidos como heróis missionários, cujo trabalho pioneiro abriu caminho para a disseminação do evangelho no Sudeste Asiático. Seu legado vive não apenas nas igrejas e comunidades que foram estabelecidas como resultado de seu ministério, mas também na memória e na inspiração que deixaram para todos os que ouvem sua história.
TEMA 3 – HUDSON TAYLOR, FUNDADOR DA MISSÃO PARA O INTERIOR DA CHINA
James Hudson Taylor foi o primeiro missionário cristão na China e passou 51 anos trabalhando para levar o evangelho para aqueles que nunca ouviram o nome de Jesus em sua própria língua. Em 1865, Hudson fundou a China Inland Mission (CIM) porque sabia que havia milhões de pessoas que precisavam ouvir a mensagem de Jesus Cristo. Seu legado inspirou inúmeros missionários cristãos a irem para os lugares mais difíceis e sombrios do mundo.
Nascido em 21 de maio de 1832, em Barnsley, na Inglaterra, seus pais eram de berço metodista: Taylor se converteu ao cristianismo em 1849, aos 17 anos, fruto das orações de sua mãe. E, em setembro de 1853, partiu para a China a convite da Sociedade Chinesa de Evangelização (CES). Taylor rapidamente aprendeu a língua chinesa e se dedicou a fazer incursões evangelísticas para o interior da China. Passados 5 anos de sua chegada, casou-se com Maria Dyer, com quem permaneceu por 12 anos em uma união que gerou 8 filhos. Alguns morreram ao nascer e outros morreram na infância; os que sobreviveram até a idade adulta viraram missionários, a exemplo de seus pais.
Maria morreu com apenas 33 anos, de cólera, em julho de 1870 (Piper, 2018). Mas seu legado e contribuição para a evangelização da China foi incalculável, pois
ela auxiliava nas correspondências da missão, foi professora de mandarim para os missionários (pois havia nascido na China, onde seus pais também eram missionários), alfabetizou os chineses que eram evangelizados, cuidava dos filhos, era uma fiel intercessora de seu marido e filhos e uma grande incentivadora da missão na China, que foi a missão que mais aceitou mulheres, tanto casadas como solteiras como missionárias. (Tucker, 1996, p. 195)
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3.1 China e a guerra
A Guerra do Ópio, que ocorreu na China entre 1839 e 1842, foi um conflito significativo que teve sérias consequências políticas, sociais e econômicas para o país. Esse conflito foi resultado das tensões crescentes entre a China e as potências ocidentais, especialmente a Grã-Bretanha, em relação ao comércio de ópio. Em 1839, as tensões entre a China e a Grã-Bretanha atingiram um ponto de ruptura quando o governo chinês apreendeu e destruiu uma grande quantidade de ópio britânico em Cantão (atual Guangzhou). Em retaliação, a Grã-Bretanha declarou guerra à China, marcando o início da Guerra do Ópio.
A guerra foi marcada por uma série de confrontos militares e batalhas navais, ao longo da costa chinesa. A tecnologia militar superior da Grã-Bretanha, incluindo sua poderosa marinha, deu-lhe uma vantagem significativa sobre as forças chinesas. Além disso, a Grã-Bretanha recebeu apoio de outras potências ocidentais, como a França, que também estavam interessadas em proteger seus interesses comerciais na China. Assim, em 1842, a China foi forçada a assinar o Tratado de Nanquim, que encerrou formalmente a guerra. Os termos do tratado foram extremamente desfavoráveis para a China, exigindo a abertura de vários portos para o comércio internacional, o pagamento de indenizações à Grã-Bretanha e a cessão da ilha de Hong Kong à Grã-Bretanha. Além disso, a China foi forçada a conceder privilégios comerciais especiais à Grã-Bretanha e outras potências ocidentais (Sampaio, 2015, p. 3).
A Guerra do Ópio teve um impacto devastador na China. Além das perdas econômicas e territoriais, o conflito enfraqueceu ainda mais a autoridade do governo Qing e aumentou o sentimento antiestrangeiros entre a população chinesa. A guerra também marcou o início de uma era de agressão imperialista à China, na medida em que as potências ocidentais buscavam expandir seus interesses e influências no país.
3.2 Desafios
Durante o século XIX, várias potências ocidentais estavam envolvidas em atividades missionárias na China, aproveitando-se do enfraquecimento do Império Qing. As missões cristãs buscavam difundir o evangelho entre os chineses, estabelecendo escolas, hospitais e igrejas em várias partes do país. No entanto, esses esforços missionários frequentemente esbarravam em barreiras culturais e
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hostilidades locais. Um dos eventos mais significativos desse período foi a fundação da CIM, por Hudson Taylor, em 1865. Taylor, um missionário britânico, estava determinado a levar o evangelho ao interior da China, onde o acesso ao cristianismo era limitado.
3.3 Identificação cultural
A missão da CIM adotou uma abordagem inovadora em seu ministério, enfatizando a identificação cultural e a confiança na provisão divina, e rapidamente estabeleceu uma presença significativa em muitas partes do país. Um dos aspectos mais marcantes do ministério de Taylor foi sua identificação cultural com o povo chinês. Ele adotou o hábito de vestir-se como um chinês e adotou costumes locais sempre que possível, a fim de se aproximar das pessoas e ministrar a elas de maneira mais eficaz. Essa abordagem inovadora ajudou a CIM a ganhar aceitação entre os chineses e a estabelecer um ministério duradouro.
3.4 Novo olhar
Em 1871, Taylor retornou para a Inglaterra, para visitar os filhos, e, agora viúvo, reencontrou uma amiga de infância que também era missionária na China, chamada Jennie Faulding. No ano seguinte, eles se casaram na Inglaterra. Entre os anos de 1876 e 1878, outros missionários foram agregados à missão, vindos de muitas partes do mundo. Hudson Taylor esteve doente, por algum tempo, por problemas na coluna que o paralisaram; mas, mesmo sem poder andar, ele enviou 18 novos missionários para o interior da China e, depois de algum tempo, foi milagrosamente curado.
Segue uma pequena linha de tempo:

Em 1882, Taylor orou por 70 missionários e Deus os bem proveu.

Em 1886, pede por 100 missionários e recebe 600 candidatos para a obra.

Em 1887, escolhe 100 missionários e parte para a China, numa expansão de seu trabalho por todo o interior do país.

Em 1888, depois de ter visitado Estados Unidos e Canadá, ele parte com 14 missionários selecionados, em direção à China.

Em abril de 1905, já com 73 anos de idade, Hudson Taylor faz sua última viagem à China, agora sem a esposa Jennie, que havia morrido. Chegando
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, visita o túmulo de sua primeira esposa e seus filhos e, numa tarde do mesmo ano, também morre (Endres et al., 2020, p. 80).
Taylor passou mais de 50 anos na China, e esse lugar nunca mais foi o mesmo: o seu ministério teve um impacto profundo na história missionária global. A CIM cresceu rapidamente sob sua liderança, estabelecendo centenas de estações missionárias e levando milhares de chineses a Cristo. Seu exemplo de fé, sacrifício e dedicação continua a inspirar missionários em todo o mundo, desafiando-os a se comprometerem com a missão de Deus com paixão e zelo semelhantes aos dele.
TEMA 4 – JIM E ELISABETH ELLIOT: UM GRANDE PROPÓSITO
Jim e Elisabeth Elliot se conheceram como estudantes no Wheaton College, em Illinois, onde cursavam um programa de grego e já tinham em mente a atuação como linguistas, entre os não alcançados. Jim era um jovem cujo coração estava pegando fogo para que Deus fosse conhecido entre os não alcançados, no que foi inspirado por vários missionários, como David Brainerd, William Carey e Amy Carmichael. Ele convenceu quatro amigos (Roger, Ed, Peter e Nate) a se juntarem a ele como missionários para alcançarem os índios da nação Aucas, ao longo do Rio Curray, no Equador.
4.1 Convicção do chamado
Elliot tinha convicção de seu chamado: quando ainda estava na faculdade, pregara para uma tribo indígena (Elliot, 2013, p. 19). Durante um acampamento para tradutores da Bíblia em 1950, conhecera um missionário que lhe apontou a necessidade da pregação do evangelho entre os índios do Equador, chamados de aucas. Elliot orou e recebeu uma carta pelo correio e, dentro dela, havia 20 dólares e uma mensagem dizendo que esse valor era uma ajuda para a sua ida ao Equador.
4.2 O convite
Elliot reencontrou então um amigo de infância, chamado Pete Fleming, que também tinha sonhos com relação ao chamado missionário e não sabia para onde Deus o direcionaria depois do término do mestrado. Com isso, os dois começaram a sonhar juntos com a missão no Equador (Benge; Benge, 2019, p. 19).
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Primeiramente, os planos de Jim eram ir para a missão solteiro, mas uma moça rondava seus pensamentos: seu nome era Elizabeth. Ela também havia estudado na escola de tradução da Bíblia e tinha um chamado para trabalhar no Equador.
4.3 A missão
Os primeiros a chegarem a Shandia, o posto missionário da tribo dos quechuas, foram Jim e Pete, em 1950. Os quechuas praticavam a agricultura e caçavam e eram considerados uma tribo gentil, em comparação com a tribo dos jivaros e dos aucas (Elliot, 2013, p. 35). Os dois amigos ficaram um tempo em Shandia, para aprender o idioma, e reativaram a escola missionária (Elliot, 2013, p. 53).
Três anos mais tarde, chegaram para auxiliar no trabalho Ed McCully, sua esposa Marilou e seu filho Stevie. Ao mesmo tempo que ficaram alegres com a chegada de mais pessoas para o trabalho, foram surpreendidos por uma enchente que destruiu o posto missionário. Elliot pegou malária e enviou uma carta para Elisabeth, que imediatamente foi até ele. Nisso, ele a pediu em casamento, que aconteceu em outubro de 1953, em Quito. Logo depois de casados, ambos iniciaram um trabalho novo em Puyupungu, onde havia necessidade de uma escola. Enquanto isso, a família McCully já estava instalada em Shandia e Pete Fleming retornava para os Estados Unidos para se casar com a namorada Olive.
Do casamento de Elliot e Elizabeth nasceu Valerie, em 1955. Quando os McCullys tiveram seu segundo filho, Pete retornou com a esposa para a missão e eles estudaram a abertura de mais um campo missionário em Arajuno, que ficava perto da tribo dos aucas, conhecida por ser extremamente violenta (Benge; Benge, 2019, p. 110-115). Durante meses, o piloto de avião Nate sobrevoou a tribo dos Aucas, jogando presentes com mensagens de amizade e frases gritadas em um alto-falante, na língua dos aucas, que ele havia aprendido com uma índia auca.
4.4 Morte
Em 1956, depois de vários sobrevoos, eles decidiram descer e tentar uma aproximação pessoalmente. Primeiramente, foram recebidos por um jovem auca, de quem logo em seguida se aproximou uma mulher e mais tarde outros aucas. Eles fizeram um almoço e passaram o dia com a tribo (Benge; Benge, 2019, p.
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171-178). No dia seguinte, Nate Saint, Ed McCully e Roger Youderian foram cercados pelos aucas e brutalmente assassinados. Em seguida, os aucas mataram também Jim Elliot e Pete Fleming (Benge; Benge, 2019, p. 178-180), cujas esposas aguardavam notícias da interação de seus maridos com os índios. E, como elas não chegavam, elas pediram que um amigo de Nate sobrevoasse a região e ele encontrou o avião destruído, mas sem sinal dos missionários. O resgate foi acionado e depois de alguns dias encontrou os corpos dos missionários.
O que é impressionante, na história, é o fato de as esposas terem decidido continuar a missão. Em 1957, Elisabeth Elliot, Dayuma (que havia abandonado a tribo) e Rachel, uma das viúvas, foram visitar outras mulheres aucas. Elas foram recebidas gentilmente pelos aucas e receberam uma explicação do porquê de matarem os missionários: eles teriam matado “[...] os missionários pois acharam que eram canibais e que consideraram a ação dos missionários como um erro” (Elliot, 2013, p. 295-296). Porém, o assassino de Jim Elliot foi evangelizado e se converteu à fé cristã junto com alguns dos homens que participaram da morte dos missionários. Ele virou líder da igreja na aldeia e batizou a filha de Jim e Elizabeth Elliot no mesmo rio onde seu pai havia sido brutalmente assassinado (Elliot, 2013, p. 295-296).
TEMA 5 – OUTROS MISSIONÁRIOS QUE VALE A PENA CONHECER
O trabalho missionário desempenha um papel fundamental na educação, na cultura e nas crenças das comunidades ao redor do mundo. Sua importância vai além da mera transmissão de uma mensagem religiosa. Ele influenciou e moldou aspectos fundamentais da vida das pessoas, enriquecendo suas experiências e expandindo suas perspectivas.
A seguir, trataremos da história de mais alguns missionários que vale a pena conhecer.
5.1 David Livingstone
David Livingstone (1813-1873) foi um missionário, explorador e médico escocês. Sua vida é marcada por uma dedicação incansável ao serviço missionário, uma paixão pela descoberta e um compromisso com o fim do comércio de escravos. Nascido em Blantyre, na Escócia, em uma família pobre,
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Livingstone começou a trabalhar na fábrica de algodão local aos 10 anos de idade. No entanto, ele se dedicou à educação e tornou-se médico, decidindo usar suas habilidades para o serviço missionário na África (Carvalho, 2017, p. 178).
Em 1840, Livingstone partiu para a África como missionário da Sociedade Missionária de Londres. Ele passou os próximos 30 anos explorando vastas regiões do continente, estabelecendo contatos com tribos locais e pregando o evangelho em áreas onde nunca antes ele chegara. Sua abordagem para o trabalho missionário era única, combinando evangelização com esforços para promover o comércio legítimo e acabar com o comércio de escravos (Carvalho, 2017, p. 178-179).
Livingstone ficou famoso por suas explorações na África, que incluíram viagens pelo interior do continente, a descoberta das Cataratas Vitória, em 1855, e a determinação da localização geográfica do Rio Nilo, em 1862. Suas descobertas despertaram o interesse internacional e aumentaram a consciência sobre a África entre os europeus (Carvalho, 2017, p. 194). Além de seu trabalho missionário e explorações, Livingstone também era um crítico feroz do comércio de escravos, que estava em ascensão na África, na época. Ele dedicou muitos de seus esforços para investigar e expor os horrores do comércio de escravos, e sua influência foi crucial para a abolição dessa prática em muitas partes da África.
A vida e o legado de David Livingstone continuam a inspirar pessoas ao redor do mundo, até hoje. Sua dedicação ao serviço missionário, sua coragem como explorador e sua luta pela justiça social deixaram uma marca indelével na história da África e no movimento missionário global. Ele é lembrado como um herói e um visionário cujo trabalho ajudou a moldar o mundo moderno.
5.2 Mary Slessor
Mary Slessor (1848-1915) foi uma missionária escocesa que deixou um legado duradouro de coragem, compaixão e serviço entre os povos indígenas da Nigéria. Sua vida é uma história notável de superação de adversidades e dedicação ao serviço missionário em meio a condições desafiadoras. Nascida em uma família pobre, Mary Slessor cresceu em um ambiente marcado pela pobreza e dificuldades. No entanto, desde cedo, ela demonstrou uma forte determinação de fazer a diferença na vida das pessoas ao seu redor. Inspirada pelo exemplo de outros missionários, ela sentiu o chamado de Deus para levar o evangelho a terras distantes (Modes, [S.d.], p. 13).
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Em 1876, Mary Slessor chegou à Nigéria como missionária da Igreja Presbiteriana Escocesa. Ela foi inicialmente enviada para Calabar, uma região remota e selvagem, habitada por várias tribos indígenas. Lá, ela enfrentou uma série de desafios, incluindo hostilidade das tribos locais, doenças tropicais e condições de vida precárias. No entanto, sua determinação em compartilhar o amor de Cristo a impulsionou a superar todas essas dificuldades.
Uma das características mais marcantes do ministério de Mary Slessor foi sua abordagem inovadora sobre o trabalho missionário: em vez de impor sua própria cultura e costumes aos nativos, ela procurou compreender e respeitar suas tradições, ganhando assim a confiança e o respeito das comunidades locais. Ela aprendeu os dialetos locais, envolveu-se nas questões sociais e culturais das tribos e trabalhou incansavelmente para promover a paz e a harmonia entre elas (Modes, [S.d.], p. 13-15).
Mary Slessor também desempenhou um papel crucial na promoção dos direitos das mulheres e crianças na Nigéria. Ela lutou contra práticas prejudiciais, como o infanticídio de gêmeos, que era comum entre algumas tribos, e defendeu a educação e o empoderamento das mulheres. Ao longo de sua vida, Mary Slessor testemunhou a transformação espiritual de muitos nativos, que abandonaram práticas pagãs e se converteram ao cristianismo. Seu ministério teve um impacto duradouro na região, estabelecendo igrejas, escolas e clínicas médicas que continuaram a servir às comunidades mesmo após sua morte. Mary Slessor faleceu em 1915, deixando para trás um legado de amor, serviço e sacrifício que continua a inspirar missionários e cristãos ao redor do mundo. Sua vida é um testemunho poderoso do poder transformador do evangelho e do chamado de Deus para levar sua mensagem de esperança e redenção a todos os povos e nações (Modes, [S.d.], p. 13-15).
5.3 Amy Carmichael
Amy Carmichael (1867-1951) foi uma missionária e escritora cristã irlandesa cuja vida e obra deixaram um impacto duradouro no mundo missionário. Em 1895, Amy partiu para a Índia como missionária, inicialmente associada à Sociedade Missionária de Keswick. Lá, ela logo se deparou com uma prática local cruel: as meninas eram dedicadas aos deuses e frequentemente sujeitas a abusos e exploração. Sua compaixão pelas crianças presas nesse sistema a levou a iniciar um ministério de resgate e cuidado (Boardman, 2019, p. 41).
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Amy estabeleceu uma missão em Dohnavur, no Sul da Índia, chamada de Dohnavur Fellowship, em 1901. Lá, acolheu ex-prostitutas infantis. Ela dedicou sua vida ao cuidado e educação dessas crianças, fornecendo-lhes um lar seguro, amoroso e cristão. Seu trabalho foi pioneiro na Índia e inspirou muitos outros a se juntarem à causa do resgate e cuidado de crianças em situações de vulnerabilidade. Ela ficou conhecida como Amma, que é uma espécie de mãe (Boardman, 2019, p. 41).
5.3.1 As dificuldades
Os sacerdotes hindus causaram muitas dificuldades ao trabalho de Amy. Assim que sabiam que as meninas estavam se tornando cristãs, muitas vezes falavam com as famílias das meninas ou usavam as mulheres do templo para exigirem as meninas de volta. Amy não tinha o apoio dos demais missionários da época, que pensavam que ela estava exagerando ao salvar as meninas da prostituição abrigando-as no templo. Para fazer as pessoas entenderem a gravidade da situação, ela fingia ser uma indiana e passou a visitar os templos. Ela pintava e manchava a sua pele de marrom-claro com saquinhos de café ou chá, e a cor dos olhos castanhos ajudava no disfarce. Ela usava um sari de cor azul-claro, que estava associada à cor da casta mais baixa (Boardman, 2019, p. 41).
5.3.2 Ajuda
Segue uma breve linha do tempo:

Em 1912, a Rainha Maria reconheceu seu trabalho e ajudou a financiar um hospital em Dohnavur.

Em 1913, a Dohnavur Fellowship abrigava 130 meninas e mais de 30 mulheres cristãs indianas voluntárias, no ministério.

Em 1918, Amy inaugurou um lar para meninos, que foram ensinados a amar e temer a Deus.

Em 1931, Amy Carmichael sofreu um acidente em que quebrou a perna e o tornozelo, teve o quadril e as costas gravemente feridos e depois do qual não conseguiu mais andar: as consequências do acidente, associadas com sua neuralgia, tornaram-na acamada pelo resto da vida. Os últimos 20 anos do gerenciamento da missão Dohnavur Fellowship foram feitos de seu leito.
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Em 1948, Amy pôde se alegrar com a proibição da prostituição nos templos da Índia.

Em 18 de janeiro de 1951, Amy Carmichael morreu, então com 83 anos (Boardman, 2019, p. 41).
Amy estava com seus movimentos limitados, mas seu ministério crescia e ela passou, então, a responsabilidade do resgate das crianças para o Starry Cluster, movimento de mulheres cristãs indianas que viajavam pelas aldeias do extremo sul da Índia para atender aos necessitados (Boardman, 2019, p. 41).
Amy escreveu vários livros sobre vida espiritual, missões e serviço cristão. O legado de Amy Carmichael continua a ressoar através das décadas. Sua dedicação à causa do resgate e cuidado de crianças em situações vulneráveis continua a impactar vidas na Índia.
FINALIZANDO Chegamos ao final desta etapa, em que tivemos a oportunidade de conhecer a história de pessoas incríveis, que mudaram o rumo da história de muitas outras. Suas vidas de sacrifício, compaixão e amor deixaram marcas na história missionária e continuam a inspirar milhares de pessoas a se dedicarem ao serviço de evangelização.
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REFERÊNCIAS BENGE, G.; BENGE, J. Jim Elliot: um grande propósito. Trad.: Renata Martins de Rezende dos Santos. São Paulo: Shedd, 2019.
BÍBLIA sagrada online. [S.l.]: 7 Graus, [20--]. Disponível em: <https://www.bibliaon.com/>. Acesso em: 27 fev. 2024. BOARDMAN, J. I have called you friends. Christian History Institute, n. 132, 2019. Disponível em: <https://christianhistoryinstitute.org/magazine/issue/spiritual-friendship>. Acesso em 26 fev. 2024. CAREY, W. Uma investigação sobre o dever dos cristãos de empregarem meios para a conversão dos pagãos. In: WINTER, R.; HOWTHORNE, S. C. (Ed.). Missões transculturais: uma perspectiva histórica. São Paulo: Mundo Cristão, 1987. CARVALHO, M. B. Hebreus 11.38: o mundo não era digno deles. [S.l.]: Morávios, 2017. E-book. Disponível em: <https://ler.amazon.com.br/?asin=B01MZA30M8&ref_=dbs_t_r_kcr>. Acesso em: 26 fev. 2024.
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TEMA 1 – PERÍODO DE PRÉ-REFORMA
Um dos fatores-chave que contribuíram para o clima pré-reformista foi a crescente insatisfação com a corrupção e o abuso de poder dentro da igreja. Muitos líderes religiosos e intelectuais começaram a questionar as práticas da Igreja, incluindo a venda de indulgências, o nepotismo entre os líderes eclesiásticos e a riqueza excessiva da hierarquia da igreja.
Além disso, avanços na educação e na disseminação da informação, como a invenção da imprensa por Johannes Gutenberg, permitiram que ideias críticas se espalhassem mais rapidamente do que nunca. Isso levou ao aumento da alfabetização e à disseminação de Bíblias em línguas vernáculas, permitindo que as pessoas lessem e interpretassem as Escrituras por si mesmas.
Entre os precursores da Reforma estava John Wycliffe, um teólogo e acadêmico inglês que desafiou a autoridade papal e defendeu a tradução da Bíblia para o inglês. Suas ideias influenciaram muitos dos reformadores posteriores, incluindo Martinho Lutero. Wycliffe é frequentemente considerado o
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"precursor" da Reforma por suas críticas à corrupção da Igreja Católica e sua ênfase na autoridade das Escrituras.
Outro líder pré-reformista significativo foi Jan Hus (abordaremos ele em seguida), um teólogo checo que também criticou a corrupção na igreja e defendeu reformas semelhantes às propostas por Wycliffe. Hus foi queimado na fogueira como herege em 1415, mas suas ideias continuaram a inspirar os reformadores posteriores e contribuíram para o clima de insatisfação que culminaria na Reforma Protestante.
O período da pré-Reforma estabeleceu as bases para as mudanças radicais que viriam a seguir. As críticas à Igreja Católica, a ênfase na autoridade das Escrituras e a crescente demanda por reformas prepararam o terreno para os eventos que transformariam para sempre o panorama religioso da Europa.
1.1 John Wycliffe John Wycliffe, um teólogo e filósofo inglês do século XIV, destacou-se como uma figura proeminente no cenário religioso e intelectual da Idade Média. Ele foi criado no norte da Inglaterra e educado na Universidade de Oxford, onde concluiu o doutorado em 1372 e ascendeu imediatamente à preeminência como principal professor na universidade (Shelley, 2018, p. 296).
Wycliffe questionava de que maneira o direito de governar era transmitido por Deus aos governantes terrenos. Na época, o senhorio só era reconhecido quando derivava da Igreja romana, confiando ao papa o domínio universal sobre todas as pessoas. Wycliffe não concordava com essa visão. Em 1377, o papa condenou os ensinamentos do reformador de Oxford. A Igreja manifestou sua oposição a Wycliffe naquele momento, porém influentes aliados na Inglaterra garantiram que essa condenação jamais fosse além de meras ameaças (Shelley, 2018, p. 296). Sua convicção levou à sua tradução da Bíblia para o inglês, ele liderou alguns estudiosos de Oxford na tradução da Bíblia latina para a língua inglesa e seguindo os métodos de São Francisco e dos frades. Esse feito ampliou o acesso à Palavra de Deus além dos limites dos clérigos e acadêmicos.
Conforme Shelley (2018), “Wycliffe antecipa a doutrina de Lutero de justificação somente pela fé, e ambos destroem as barreiras medievais entre Deus e seu povo” (p. 297). A sua morte em 31 de dezembro de 1384 não diminuiu
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seu legado. Sua tradução da Bíblia para o inglês foi um marco na história da língua inglesa e na disseminação da fé cristã entre o povo comum. Ele é lembrado como um dos precursores da Reforma Protestante e um defensor da liberdade religiosa e da reforma da igreja (Shelley, 2018, p. 301). Apesar de ser considerado herege por muitos de seus contemporâneos, John Wycliffe deixou um impacto duradouro na história da religião e da cultura europeias.
1.2 John Huss Jan Huss, também chamado de John Huss, nascido em Husinetz, na Boêmia (atual República Tcheca), por volta de 1369, estudou na Universidade Carolina em Praga, onde se destacou em seus estudos teológicos. Sua erudição e eloquência rapidamente o elevaram à posição de destaque dentro do cenário acadêmico e eclesiástico da época. Em seus estudos, Huss teve contato com os escritos filosóficos de Wycliffe e, posteriormente, com os escritos religiosos de Wycliffe, que o levou a adotar a visão do reformador inglês a respeito da Igreja como um grupo eleito que tinha em Cristo seu cabeça, não o papa (Shelley, 2018, p. 302).
Segundo Shelley (2018), “a capela de Belém, perto da universidade, concedeu a Huss uma oportunidade de transmitir os ensinamentos de Wycliffe, incluindo suas críticas contra os abusos do poder no papado”. Huss denunciou vigorosamente a corrupção clerical, a venda de indulgências e outras questões dentro da hierarquia eclesiástica (Shelley, 2018, p. 302). O desejo de Huss era tornar a Escritura acessível ao povo comum da época. Ele não só pregou em tcheco, mas traduziu partes da liturgia, assim como vários hinos latinos para a língua local. Sua insistência na primazia das Escrituras e na salvação pela fé, em vez de pelas obras, o colocou em rota de colisão com as autoridades. Assim, em 1410 Huss foi excomungado por heresia. Como consequência, um grande tumulto popular eclodiu e Huss fugiu para o sul da Boêmia (Delinger, 2017, s.p.). Conforme Delinger (2017), “em 1414, foi citado para comparecer perante o Concílio de Constança, para responder às acusações de heresia, e lhe foi prometido um retorno seguro do concílio” (S.p.). Ali Huss foi preso e julgado como herege. Por fim, em 6 de julho de 1415, foi condenado à morte na fogueira (Shelley, 2018, p. 304).
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TEMA 2 – REFORMA PROTESTANTE
A Reforma Protestante foi um dos eventos mais significativos na história do Cristianismo, marcando uma ruptura profunda com a autoridade da Igreja Católica Romana e dando origem a diversas tradições e denominações protestantes que moldaram a paisagem religiosa e cultural do mundo ocidental. O movimento da Reforma teve suas raízes no século XVI, quando líderes como Martinho Lutero, João Calvino, Ulrico Zuínglio e outros começaram a questionar as doutrinas e práticas da Igreja Católica da época.
2.1 Martinho Lutero Martinho Lutero era filho de Hans Luder e Margarethe Lindemann, membros da classe média alemã. Seu pai era minerador e desejava que Martinho se tornasse advogado, mas, após uma experiência espiritual durante uma tempestade, o jovem decidiu ingressar na vida monástica. Lutero sentia-se extremamente culpado e pecador, o que o levava ao autoflagelo (Shelley, 2018, p. 310).
Porém, “quando foi nomeado para lecionar o curso de estudos bíblicos na recém-estabelecida Universidade de Wittenberg” (Shelley, 2018, p. 311), na Alemanha, o encontro com as Escrituras transformou sua vida. Lutero agora via com clareza que o homem é salvo apenas pela fé no mérito do sacrifício de Cristo. Ele ensinou que os seres humanos são justificados diante de Deus não pelas suas próprias obras, mas pela fé em Jesus Cristo e no seu sacrifício na cruz. Isso representou uma mudança significativa na compreensão da salvação e do relacionamento entre Deus e os seres humanos. Foi assim que Lutero chegou à sua doutrina da justificação somente pela fé e percebeu como ela conflitava nitidamente com a doutrina da Igreja Romana de justificação que incluía fé e boas obras.
As implicações da descoberta de Lutero foram enormes. Na concepção de Lutero, se a salvação vem somente por meio da fé em Cristo, a intercessão dos sacerdotes seria desnecessária, pois, todos os cristãos têm acesso a Deus por meio de Cristo, sem a necessidade de mediação da Igreja de Roma (Shelley, 2018, p. 311).
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Em 31 de outubro de 1517, Lutero desafiou publicamente a doutrina católica ao afixar suas 95 Teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, marcando o início do movimento reformista, criticando a venda de indulgências e expondo outras questões teológicas e práticas que ele considerava contrárias às Escrituras. A oposição de Lutero à Igreja Católica e sua recusa em se retratar levaram à sua excomunhão em 1521, pelo Papa Leão X, durante a Dieta de Worms. Ele foi então protegido pelo Príncipe Frederico da Saxônia, que o salvou da prisão e da morte, oferecendo a Lutero refúgio em seu Castelo de Wartburg (Shelley, 2018, p. 313). Conforme o autor, Lutero,
disfarçado como um nobre de classe inferior chamado cavaleiro Jorge, o reformador permaneceu ali até 1522; durante o período, traduziu o Novo Testamento para o alemão, um importante primeiro passo rumo à reformulação do culto público e privado na Alemanha. (Shelley, 2018, p. 317)
Lutero seguiu pregando e produzindo textos, livros e hinos até sua morte, em 18 de fevereiro de 1546.
2.2 As Cinco Solas
As Cinco Solas são princípios teológicos fundamentais que resumem as doutrinas centrais da Reforma Protestante. Estas afirmações foram formuladas pelos líderes reformadores, especialmente por Martinho Lutero, e tornaram-se marcos distintivos do movimento protestante. Cada uma das Cinco Solas enfatiza um aspecto essencial da fé cristã, destacando a supremacia de Deus, a autoridade das Escrituras e a centralidade de Cristo na salvação.

Sola Scriptura (Somente a Escritura): este princípio afirma que a Bíblia é a única fonte de autoridade para a fé cristã e prática. Em contraste com a visão católica romana, que reconhecia a autoridade tanto das Escrituras quanto da tradição da igreja, a Reforma defendia que a Palavra de Deus contida na Bíblia era suficiente para orientar a vida e a doutrina cristãs (Oliveira, 2017, p. 22);

Sola Fide (Somente a Fé): este princípio enfatiza que a salvação é pela graça de Deus, recebida somente pela fé em Jesus Cristo, e não pelas obras humanas. Lutero e outros reformadores rejeitaram a ideia de que
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as boas obras poderiam garantir a salvação, defendendo que é somente
pela fé que somos justificados diante de Deus (Perez et al., 2017, p. 50);

Sola Gratia (Somente a Graça): este princípio destaca que a salvação é um dom gratuito de Deus, concedido pela sua graça, e não por mérito humano. A Reforma enfatizou que a iniciativa para a salvação vem inteiramente de Deus e que os seres humanos não podem ganhar ou merecer a salvação por seus próprios esforços (Oliveira, 2017, p. 57);

Solus Christus (Somente Cristo): este princípio proclama que Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e os seres humanos, e que Ele é a única fonte de salvação. Os reformadores rejeitaram a ideia de que a igreja, os santos ou qualquer outra pessoa poderiam servir como intermediários entre Deus e os indivíduos, enfatizando que apenas Cristo pode reconciliar os pecadores com Deus (Oliveira, 2017, p. 41);

Soli Deo Gloria (Glória Somente a Deus): este princípio reconhece que toda glória e louvor devem ser dados somente a Deus. A Reforma enfatizou a supremacia de Deus em todas as áreas da vida, ensinando que o propósito final de todas as coisas é a glória de Deus e que todas as nossas ações devem ser realizadas com esse objetivo em mente (Perez et al., 2017, p. 90).
Essas Cinco Solas serviram como pilares teológicos essenciais da Reforma Protestante e continuam a ser princípios fundamentais para muitos cristãos protestantes hoje, moldando sua compreensão da fé e influenciando sua prática religiosa.
2.3 Companhia de Jesus
Em 1540 a Companhia de Jesus, também conhecida como Ordem dos Jesuítas, foi oficialmente reconhecida pelo Papa Paulo III. Este grupo religioso representou uma das principais forças na tentativa de restaurar a supremacia do catolicismo após os desafios impostos pelo protestantismo (Shelley, 2018, p. 358).
Os membros da Companhia de Jesus eram conhecidos como jesuítas e se comprometeram com um rigoroso treinamento espiritual e intelectual, seguindo os Exercícios Espirituais desenvolvidos por Inácio. A missão fundamental da ordem consistia em restabelecer a proeminência espiritual e a
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influência da Igreja Católica Romana, que havia sido proeminente sob o papado de Inocêncio III, três séculos antes. Todos os esforços dos jesuítas estavam voltados para a recondução da supremacia da Igreja de Roma, uma vez que Inácio sustentava firmemente a crença na exclusividade da presença do Cristo vivo na estrutura institucional da Igreja (Shelley, 2018, p. 358). Em 1545, a cidade de Roma experimentou uma nova fase de rigor. O movimento reformista ganhava força, as obras dos reformadores e as Bíblias protestantes estavam entre os itens proibidos e, na Espanha, durante um longo período, a posse de um desses livros proibidos era punível com a pena de morte (Shelley, 2018, p. 356). O chefe da primeira missão jesuíta mandada para a América foi o padre Manoel da Nóbrega, de 32 anos, membro da Companhia de Jesus desde 1544. Conforme César (2000),
ele chegou acompanhada de mais seis jesuítas que desembarcaram na Bahia no dia 29 de março de 1549, na companhia de mais de mil pessoas, entre soldados, funcionários, colonos, artesãos e cerca de 400 criminosos condenados a viver fora de sua terra natal. (César, 2000, p. 27)
A influência da Companhia de Jesus foi significativa em áreas como educação, ciência, política e missões globais. Os jesuítas fundaram muitas escolas, universidades e colégios em todo o mundo, desempenhando um papel fundamental no avanço do conhecimento e na formação de líderes religiosos e intelectuais.
2.4 Chegada ao Brasil No quarto dia após a "descoberta", em 26 de abril de 1500, ocorreu a primeira celebração da missa em território brasileiro, conduzida por Dom Henrique Soares de Coimbra. O interesse pela conversão dos indígenas é em parte baseado em uma impressão excessivamente otimista e simplista que existia dos nativos. Nesse evento, os índios auxiliaram no transporte da cruz até o local designado e imitaram os portugueses durante a cerimônia religiosa, seguindo seus gestos de ajoelhar, levantar-se, erguer as mãos para o alto e observar atentamente o celebrante.
Nesse tempo, a atenção de Portugal estava voltada à Reforma Protestante na Europa e aos interesses econômicos nas Índias, e embora alguns
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religiosos franciscanos tenham temporariamente estado presentes antes da chegada efetiva da primeira missão jesuíta em 1549, levou-se 50 anos para que fossem enviados missionários para evangelizar os 1,5 milhão de indígenas, distribuídos em mais de mil etnias que havia no Brasil.
Gradualmente, os portugueses perceberam que os nativos habitavam toda a extensão litorânea, desde o Pará até o Rio Grande do Sul, bem como o interior, tanto próximo quanto distante. Observaram também que os indígenas falavam línguas diversas e não compartilhavam a mesma cultura (César, 2000, p. 29).
No início do século XVI, o clérigo era basicamente um funcionário eclesiástico, sem necessariamente estar focado na evangelização, catequese ou conversão do povo, já que o sacerdócio era considerado principalmente uma profissão (César, 2000, p. 56).
Não havia imprensa nem universidade no Brasil durante os três primeiros séculos de sua história, o que implica na ausência de livros. Isso resultou em um conflito de culturas: europeia, indígena e africana, culminando na fusão das três culturas dominantes, já compostas por diversas misturas anteriores, especialmente entre os africanos. Essa fusão é conhecida como sincretismo cultural e religioso (César, 2000, p. 53).
TEMA 3 – PROTESTANTES CHEGAM AO BRASIL
Em 1555, apenas 38 anos após a proclamação da Reforma Protestante e seis anos após a chegada dos jesuítas à Bahia, aportou no Brasil uma caravana ecumênica procedente da França. Eram nobres, artesãos, soldados, criminosos e agricultores, alguns católicos e outros protestantes, sob o comando do navegador Nicolau Durant de Víllegaignon, de 45 anos. Os três navios e os 600 tripulantes e passageiros haviam saído de Hâvrede-Grâce no dia 22 de julho de 1555 e chegaram à Baía de Guanabara menos de quatro meses depois, em 10 de novembro (César, 2000, p. 37).
3.1 Primeiros protestantes
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No dia 7 de março de 1557, um ano e três meses depois da primeira expedição, chegou a segunda leva de franceses: cerca de 300 colonos, católicos e sem religião em sua maioria. Com eles vieram quatorze huguenotes (nome que se dá aos reformados de língua francesa) de Genebra, enviados por João Calvino, a pedido do próprio Villegaignon (César, 2000, p. 38).
No dia 10 de março de 1557 o primeiro culto protestante foi realizado. Pierre Richíer pregou em francês sobre o verso 4 do Salmo 27: "Uma coisa pedi ao Senhor, é o que procuro: que eu possa viver na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a bondade do Senhor e buscar sua orientação no seu templo” (César, 2000, p. 38).
Conforme César (2000), a cerimônia foi realizada no Forte Coligny, na ilha de Serijipe, hoje Villegaignon, no Rio de Janeiro. Em 21 de março foi organizada a primeira igreja protestante do Brasil e da América do Sul, com a celebração da Santa Ceia à maneira calvinista e com a presença de Villegaígnon. Isto significa que entre a primeira missa católica e a primeira celebração reformada houve um espaço de apenas 57 anos.
Em janeiro de 1558, Richier e seus companheiros foram obrigados a voltar para a Europa, após desentendimento doutrinário com Villegaígnon. Como a viagem seria muito difícil, cinco deles se ofereceram para ficar no Brasil. Estes foram condenados à morte como hereges e são considerados os mártires calvinistas do Brasil (César, 2000, p. 38).
3.2 João Ferreira de Almeida
João Ferreira de Almeida tinha 16 anos quando traduziu o Novo Testamento para o português, utilizando a versão latina de Teodoro de Beza (1519-1605) (César, 2000, p. 68). Após exercer trabalho missionário no Sri Lanka (antigo Ceilão) e na Índia, Almeida iniciou a tradução completa da Bíblia a partir dos originais hebraico e grego.
Inicialmente, a tradução de Almeida tinha como público-alvo os falantes de português no sudeste asiático. No entanto, em 1809, a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira começou a publicar a Bíblia de Almeida, tornando-se a primeira Bíblia em português e a 32ª versão completa das Escrituras em línguas modernas após a Reforma (César, 2000, p. 68).
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A introdução das Escrituras no território brasileiro teve início de maneira discreta no ano de 1814. A partir do ano de 1818, a distribuição de exemplares das Sagradas Escrituras na América Latina foi realizada por representantes das duas principais sociedades bíblicas existentes na época, a Britânica e a Americana. Um marco importante nesse processo foi a atuação do missionário metodista americano Daniel Parish Kidder (1815-1891), que se estabeleceu como correspondente da Sociedade Bíblica Americana no Brasil (César, 2000, p. 69).
A versão da Bíblia de João Ferreira de Almeida, após passar por múltiplas revisões, mantém-se como a preferida tanto entre os evangélicos portugueses quanto brasileiros (César, 2000, p. 70).
Conforme dados da SBB, a tradução do Antigo Testamento foi concluída em 1694 por Jacobus op den Akker, um pastor holandês que colaborou com Almeida. No entanto, a publicação do texto completo do Antigo Testamento só ocorreu em 1751, enquanto a versão completa da Bíblia em um único volume foi lançada em 1819.
A edição de 1898, denominada "Revista e Corrigida", foi lançada na Europa e, posteriormente, no Brasil, durante meados do século XX, o texto de Almeida passou por uma revisão e atualização, resultando na edição conhecida como "Revista e Atualizada". Em setembro de 2013, após uma reunião com representantes das igrejas cristãs brasileiras, foi iniciado o processo de revisão da "Revista e Atualizada", culminando no lançamento da "Nova Almeida Atualizada" em 2017.
TEMA 4 – CRONOLOGIA DOS 500 ANOS
4.1 Brasil Colônia
Em 22 de abril de 1500, a armada portuguesa liderada por Pedro Álvares Cabral chega ao Brasil. Quatro dias depois, em 26 de abril, Dom Henrique Soares de Coimbra realiza a primeira cerimônia cristã no solo brasileiro. É importante ressaltar que em 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero dá início oficial à Reforma Protestante, marcando um período de agitação religiosa na Europa após séculos de supremacia da igreja católica (César, 2000, p. 169).
Em resposta à Reforma Protestante, em 1540 a Contrarreforma ganhou impulso com a fundação da Companhia de Jesus, liderada por Inácio de Loyola.
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Em 1549, desembarcam na Bahia os seis primeiros missionários jesuítas, com eles vêm também o primeiro governador do Brasil, Tomé de Sousa, e o padre Manoel da Nóbrega (César, 2000, p. 170).
O primeiro culto presbiteriano acontece em 1557, na ilha de Serijipe, na Baía de Guanabara, seguido pela organização da primeira igreja evangélica do Brasil e da América do Sul. Isto significa que entre a primeira missa católica e a primeira celebração reformada houve um espaço de apenas 57 anos (César, 2000, p. 170).
Em 1597 morre o padre José de Anchieta, o renomado missionário jesuíta conhecido como "o apóstolo do Brasil", após 44 anos de trabalho missionário no país (César, 2000, p. 170).
De acordo com César (2000), de 1630 até 1654 tropas holandesas ocupam Pernambuco, estabelecendo a Nova Holanda no Nordeste brasileiro. O período áureo do Brasil holandês durou oito anos (1637 – 1644). Coincide com o governo do Conde João Maurício de Nassau-Siegen, membro e frequentador assíduo da Igreja Reformada. Um ano após o seu retorno para a Holanda, o padre André de Soveral e setenta fiéis foram mortos durante uma missa na Capela de Nossa Senhora das Candeias, no Engenho Cunhaú, no Rio Grande do Norte. Algumas dessas vítimas foram beatificadas pelo papa João Paulo II mais de 350 anos depois, em março do ano 2000. Em 1654, encerra-se a invasão holandesa após a organização de 22 igrejas reformadas no Nordeste brasileiro (César, 2000, p. 170-171).
Em 1810 é assinado o Tratado de Comércio e Navegação entre Portugal e Inglaterra, garantindo liberdade religiosa aos súditos britânicos no Brasil (César, 2000, p. 170-172).
4.2 Brasil Império
Em 7 de setembro de 1822, durante uma visita a São Paulo, o príncipe regente Dom Pedro, ao perceber as pressões de Portugal, decide proclamar a Independência do Brasil. Menos de dois meses depois é aclamado Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, com 24 anos de idade. No mesmo ano, inaugura-se no Rio de Janeiro o primeiro templo protestante em solo brasileiro, obedecendo às cláusulas do tratado para evitar conflitos religiosos (César, 2000, p. 172).
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No dia 25 de março de 1824 é promulgada a Constituição Política do Império do Brasil, que estabelece a religião católica romana como oficial do Império, permitindo outras religiões apenas em cultos domésticos ou particulares, sem manifestação pública de templos. Nesse mesmo ano, começam a chegar ao Brasil as primeiras levas de imigrantes alemães, principalmente luteranos, que se fixam especialmente no Rio Grande do Sul (César, 2000, p. 172).
Em 1855 desembarca no Rio de Janeiro o primeiro casal de missionários protestantes, em caráter permanente: Sarah e Robert Kalley. E em 1859, o missionário presbiteriano americano Ashbel Green Símonton chega também ao Rio de Janeiro (César, 2000, p. 173).
No da 5 de novembro de 1864, o primeiro jornal protestante do Brasil e da América do Sul, por iniciativa de Ashbel Símonton, começa a circular. Chamado de Imprensa Evangélica, tem o objetivo de alcançar pela palavra escrita os não alcançados pela palavra falada. Além do mais, pretende publicar artigos em defesa de reformas legais necessárias à completa liberdade de culto (César, 2000, p. 173).
De acordo com César (2000), “Em 1865, José Manoel da Conceição é ordenado pastor presbiteriano, na cidade de São Paulo, é o primeiro brasileiro a se tornar pastor protestante” (p. 173). Em 1882, chegam a Salvador, Bahia, os primeiros missionários enviados pelos batistas do sul dos Estados Unidos (César, 2000, p. 174).
4.3 Brasil República
Em 15 de novembro de 1889, Manuel Deodoro da Fonseca proclama a república brasileira nas primeiras horas da madrugada. Esse evento marca o fim do regime imperial que perdurou por 67 anos. Pedro II, com 64 anos de vida e 49 anos de governo, juntamente com sua família, tem um prazo de 24 horas para deixar o país (César, 2000, p. 175).
Em 1910, após frequentar brevemente a Igreja Presbiteriana do Brás, em São Paulo, o italiano Louis Francescon estabelece na capital paulista a Congregação Cristã no Brasil, tornando-a a primeira igreja pentecostal do país (César, 2000, p. 175).
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No ano de 1911, os missionários suecos Gunnar Vingren, de 32 anos, e Daniel Berg, de 27 anos, fundam em Belém do Pará a primeira Assembleia de Deus do Brasil (César, 2000, p. 175).
Em 8 de maio de 1922, o casal suíço Stelle e David Miche chega ao Rio de Janeiro com o objetivo de estabelecer o Exército de Salvação no Brasil. Em 1948, é estabelecida no Rio de Janeiro a Sociedade Bíblica do Brasil, com a finalidade de "promover e intensificar, sem fins lucrativos, a disseminação das Escrituras Sagradas como meio de elevar moral, social e espiritualmente o povo brasileiro" (César, 2000, p. 176).
Durante o período entre 1951 e 1962, são fundadas as seguintes igrejas: Igreja do Evangelho Quadrangular do Brasil, Igreja Evangélica Pentecostal O Brasil para Cristo e a Igreja Pentecostal Deus é Amor (César, 2000, p. 176).
No ano de 1970, em Campinas, São Paulo, dois missionários jesuítas americanos, Harold J. Rahm, com 51 anos, e Edward J. Dougherty, com 29 anos, iniciam a Renovação Carismática Católica no Brasil (César, 2000, p. 177).
Em 6 de outubro de 1974, o evangelista Billy Graham conclui a cruzada de evangelização realizada no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, com a participação de aproximadamente 250 mil pessoas (César, 2000, p. 177).
TEMA 5 – MULHERES
5.1 Catarina Parr
Catarina Parr foi a sexta e última esposa do rei Henrique VIII da Inglaterra, que se encantou com sua beleza não apenas física, mas também intelectual. Nascida por volta de 1512, pouco se sabe sobre sua infância, mas sua vida tomou um rumo significativo quando se tornou a esposa do rei em 1543, após a morte de sua antecessora, Jane Seymour (Almeida; Pinheiro, 2021, p. 144).
Ela desempenhou um papel crucial na reconciliação entre Henrique VIII e suas filhas, Maria e Isabel, provenientes de casamentos anteriores. Seu interesse pela educação das princesas mostrou seu compromisso com o bem-estar da família real e do reino (Almeida; Pinheiro, 2021, p. 145).
Durante seu casamento com Henrique VIII, Catarina enfrentou desafios políticos e religiosos, especialmente devido às mudanças religiosas tumultuadas da época, com a Reforma Protestante ganhando força na Inglaterra. Apesar de sua formação católica e educação humanista, Catarina ao estudar a Bíblia e os
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escritos teológicos, simpatizou-se cada vez mais com o protestantismo (Almeida; Pinheiro, 2021, p. 154).
Como rainha estava sempre na presença de mulheres eruditas, compartilhando as Escrituras e práticas devocionais. Mantendo também contato com grandes reformadores como Thomas Cranmer e Hugh Latimer, aumentando ainda mais seu entusiasmo pela fé protestante (Almeida; Pinheiro, 2021, p. 146).
A influência protestante da rainha não foi vista com simpatia pelo bispo Gardner e os demais líderes da igreja católica. Apesar do rompimento de Henrique VIII com a igreja católica, ele ainda permanecia confesso e praticante desta religião. O bispo aproveitou isso para influenciar o rei contra Catarina (Almeida; Pinheiro, 2021, p. 146).
Catarina Parr promoveu a distribuição de Bíblias na língua do povo e a publicação de obras sacras, dentre elas a tradução das “Parafrases do Novo Testamento” de Erasmo, que se tornaria um instrumento importante para a consolidação da Reforma durante o governo do rei Eduardo VI. Tornou-se também a primeira rainha inglesa a publicar um livro, Orações e meditações (1545), uma complicação de preces e meditações no estilo clássico (Almeida; Pinheiro, 2021, p. 148).
Em 1545, Catarina promovia encontros diários para pregação em seus aposentos, contando com a presença de mulheres, nobres e líderes reformadores. Esses encontros ficaram conhecidos como “Salão Protestante”. Os encontros não eram secretos, apenas contavam com a indiferença de Henrique VIII em relação a eles (Almeida; Pinheiro, 2021, p. 148).
Como uma mulher de convicções religiosas fortes, Catarina navegou habilmente pelas águas perigosas da política religiosa, mantendo a confiança do rei enquanto protegia suas próprias crenças, apesar das inúmeras tentativas católicas de a prenderem (Almeida; Pinheiro, 2021, p. 149).
Após a morte de Henrique VIII em 1547, Catarina publicou o livro Lamentação de uma pecadora, no qual lamenta a apatia e falta de acesso do povo aos ensinamentos bíblicos e critica os clérigos por contribuírem para isso. Ela defende a autoridade da Bíblia, a doutrina da justificação pela fé e declarou que as boas obras não contam para a salvação. Casou-se com Thomas Seymour, mas morreu em 1548, após dar à luz a sua única filha, Mary Seymour (Almeida; Pinheiro, 2021, p. 151).
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De acordo com Almeida e Pinheiro (2021), a rainha Catarina Parr teve grande influência na propagação do protestantismo na Inglaterra, e seu “Salão Protestante” influenciou outras mulheres nobres a transmitirem o legado e os ideais protestantes (Almeida; Pinheiro, 2021, p. 151).
5.2 As Beguinas
As Beguinas foi um movimento que floresceu principalmente nos Países Baixos, Bélgica e partes da França, chegando até a Alemanha durante a Idade Média (Almeida, 2022, p. 1365). Começou no final do século XII e atingiu seu auge nos séculos XIII e XIV.
As beguinas eram mulheres de diversas origens sociais e econômicas, incluindo viúvas, solteiras e até mesmo algumas casadas, que buscavam viver uma vida piedosa e comunitária, sem se tornarem freiras. Elas não faziam votos religiosos formais, como as freiras, e mantinham a liberdade de deixar a comunidade a qualquer momento para se casar ou seguir outro caminho. Eram mulheres leigas que buscavam viver a sua fé para além dos muros dos conventos e mosteiros (Almeida, 2022, p. 1321).
As beguinas viviam juntas em pequenas comunidades conhecidas como beguinarias, que eram frequentemente construídas nas periferias das cidades. As beguinarias eram autossuficientes, com suas próprias capelas, hortas, enfermarias e oficinas. Eram também centros educativos, onde todas as mulheres aprendiam a ler e a escrever e se tornavam independentes (Almeida, 2022, p. 1341).
As beguinas trabalhavam como costureiras, tecelãs, enfermeiras e em outras ocupações, sustentando-se e ajudando os pobres da comunidade. Algumas beguinarias se transformavam também em hospitais para dar assistência aos leprosos e doentes, davam trabalho às prostitutas e cuidavam dos órfãos (Almeida, 2022, p. 1355).
Uma das características mais marcantes das beguinas era sua ênfase na devoção pessoal e na espiritualidade interior, em contraste com as práticas mais formais e hierárquicas da Igreja Católica da época. De acordo com Almeida (2022), elas eram pobres e se dedicavam à oração, à meditação, ao estudo das Escrituras, buscando uma conexão direta com Deus. Não se tratava de uma
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nova ordem religiosa, elas não eram monjas e se negavam viver debaixo da autoridade de um sacerdote, pai ou marido (Almeida, 2022, p. 1341).
No entanto, o movimento beguino não escapou da perseguição. Algumas beguinas foram acusadas de heresia, especialmente durante os períodos de agitação religiosa na Europa medieval. A Igreja estava preocupada com a independência das beguinas e com a possibilidade de elas propagarem ensinamentos considerados heréticos (Almeida, 2022, p. 1375).
Com o tempo, a influência das beguinas diminuiu à medida em que a Igreja reforçava seu controle sobre as práticas religiosas e a sociedade europeia mudava. Muitos beguinários foram fechados durante a Reforma Protestante e a Contrarreforma Católica, o que fez com que muitas se juntassem ao movimento da Reforma Protestante. No entanto, algumas comunidades de beguinas persistiram até o século XX, quando o último beguinário formal foi fechado na Bélgica (Almeida, 2022, p. 1385).
Apesar de sua eventual dissolução como um movimento organizado, o legado das beguinas continua a ser lembrado como um exemplo de devoção religiosa, autonomia feminina e busca por uma espiritualidade pessoal dentro do contexto medieval europeu. Suas comunidades representaram uma alternativa importante para as mulheres que desejavam uma vida dedicada a Deus, mas que não se encaixavam nos moldes tradicionais da vida monástica (Almeida, 2022, p. 1311).
FINALIZANDO Chegamos ao final desta etapa, e tivemos a oportunidade de rever como a pré-Reforma, a Reforma Protestante e suas consequências tiveram um impacto profundo não apenas na Europa, mas também em todo o mundo, incluindo o Brasil. Esses movimentos históricos moldaram não apenas a paisagem religiosa, mas também influenciaram a cultura, a política e a sociedade de maneiras significativas. Vimos como as mulheres desempenharam papéis significativos durante o período da Reforma Protestante, embora muitas vezes suas contribuições tenham sido obscurecidas ou esquecidas pela história. No entanto, essas mulheres corajosas desempenharam uma variedade de papéis importantes,
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desde apoiar os líderes reformadores até liderar movimentos de reforma em suas próprias comunidades, a exemplo das Beguinas. Esses movimentos tiveram um impacto duradouro na evangelização, de todo o mundo, incluindo o Brasil. Com a disseminação das ideias da Reforma, surgiu um maior acesso à Bíblia e ao evangelho em línguas vernáculas, o que permitiu uma compreensão mais direta e pessoal da fé cristã. Missões protestantes, influenciadas pelas ênfases da Reforma, foram estabelecidas no Brasil, trazendo uma mensagem de salvação pela fé em Jesus Cristo.
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REFERÊNCIAS
ALMEIDA, R. S. Teólogas da Igreja Medieval – mulheres que iluminaram a espiritualidade na idade das trevas. Rio de Janeiro: Thomas Nelson, 2022.
ALMEIDA, R. S.; PINHEIRO, J. S. Reformadoras – mulheres que influenciaram a Reforma e ajudaram a mudar a igreja e o mundo. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2021.
CÉSAR, E. M. L. História da evangelização do Brasil: dos jesuítas aos neopentecostais. Viçosa: Ultimato, 2000.
DELINGER, A. Uma biografia de John Huss. Fiel Ministério, 25 maio 2017. Disponível em: <https://ministeriofiel.com.br/artigos/uma-biografia-de-john-huss/>. Acesso em: 28 fev. 2024.
OLIVEIRA, L. N. A Reforma Protestante. Uberaba, MG: EBD Comentada, 2017.
PEREZ, J. J. et al. Las 5 Solas de la reforma: Sola Scriptura, Solo Christus, Sola Fide, Sola Gratia, Soli Deo Gloria. 2017.
SHELLEY, B. L. História do cristianismo: uma obra completa e atual sobre a trajetória da igreja cristã desde as origens até o século XXI. Trad. Giuliana Niedhardt. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2018.
SOCIEDADE BÍBLICA DO BRASIL. João Ferreira de Almeida. Disponível em: <https://www.sbb.org.br/historia-da-biblia-sagrada/a-biblia-em-portugues/joao-ferreira-de-almeida>. Acesso em: 28 fev. 2024.

TEMA 1 – COREIA DO NORTE
A Coreia do Norte é conhecida por sua opressão sistemática à liberdade religiosa, e os cristãos têm sido alvo de intensa perseguição nesse país há pelo menos 20 anos. Ela está no topo da lista do país mais perigoso para os cristãos, e foi superada apenas uma vez pelo Afeganistão no ano de 2022 (Portas Abertas, 2024).
O regime totalitário liderado pela dinastia Kim exerce um controle rigoroso sobre todos os aspectos da vida dos cidadãos, incluindo a religião. Qualquer expressão de fé que não seja a devoção ao líder supremo é vista como uma ameaça ao regime e é duramente reprimida. Uma liderança extremamente fiel do sistema socialista, nos moldes do marxismo-leninista russo, comandado pela dinastia Kim, primeiro Kim IL-Sung, que governou de 1948 até 1994, sucedido pelo seu filho Kim Jong-il, que morreu em 2012, e seu sucessor é o atual líder Kim Jong-un (Maranhão, 2021, p. 16).
1.1 Perigos
Os cristãos na Coreia do Norte enfrentam uma série de perigos, incluindo detenção arbitrária, tortura, execução e até mesmo trabalho forçado em campos de prisioneiros políticos. O simples ato de possuir uma Bíblia ou participar de um culto cristão clandestino pode resultar em severas punições, não apenas para o crente, mas também para sua família (Maranhão, 2021, p. 12).
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A propaganda oficial do governo retrata o cristianismo como uma influência estrangeira e perigosa, associada ao imperialismo ocidental. Os cristãos são frequentemente retratados como traidores da pátria e inimigos do Estado, o que alimenta o medo e a desconfiança em relação a eles por parte da população em geral.
1.2 Fé em segredo
Apesar das condições extremamente adversas, muitos cristãos norte-coreanos continuam a praticar sua fé em segredo, muitas vezes reunindo-se em pequenos grupos domésticos para adorar e estudar a Bíblia. Eles enfrentam riscos significativos ao fazer isso, mas estão dispostos a suportar as consequências em nome de sua fé.
Organizações de direitos humanos e grupos de apoio têm documentado extensivamente as violações dos direitos religiosos na Coreia do Norte e têm pressionado a comunidade internacional a agir em defesa dos cristãos e de outras minorias religiosas no país. No entanto, a situação continua a ser extremamente desafiadora, especialmente devido ao isolamento do regime norte-coreano e à falta de acesso externo ao país.
1.3 Perseguição
A perseguição de cristãos na Coreia do Norte é uma das mais severas do mundo atualmente e continua a ser uma preocupação urgente para a comunidade internacional. O fato de se denominar cristão na Coreia do Norte é sinônimo de campos de trabalho forçado ou sentença de morte. Segundo o Portas Abertas (2024), “acredita-se que haja dezenas de milhares de cristãos mantidos em campos de trabalho forçado no país”.
As mulheres que são mantidas nos campos de trabalho forçado são submetidas à violência sexual. Segundo o site Portas Abertas “estima-se que ‘80% dos desertores da Coreia do Norte sejam mulheres, que fogem para China e acabam sujeitas ao tráfico humano. As que são capturadas e repatriadas estão grávidas, ao voltarem acabam sofrendo um aborto forçado, muitas vezes para evitar que a linhagem norte-coreana seja contaminada’” (Portas Abertas, 2024).
Com relação à perseguição com os homens, eles são monitorados e controlados pelo Estado, e dessa forma têm mais dificuldade para fugir do que
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as mulheres. O alistamento é obrigatório aos 17 anos, e uma vez identificados como cristãos, eles são submetidos a interrogatórios rigorosos, muitas vezes acompanhados de tortura física e psicológica, na tentativa de forçá-los a renunciar à sua fé.
Além disso, os convertidos enfrentam estigmatização social e discriminação, sendo frequentemente considerados traidores da pátria e inimigos do Estado. Eles são frequentemente retratados pela propaganda oficial como agentes estrangeiros tentando minar a estabilidade do regime, o que aumenta a desconfiança e o ódio em relação a eles por parte da população em geral.
Apesar disso, os cristãos norte-coreanos continuam a enfrentar desafios incríveis em sua jornada de fé, sua resiliência e coragem inspiram o mundo a não esquecer aqueles que sofrem por causa de sua fé (Portas Abertas, 2024).
TEMA 2 – SOMÁLIA O segundo no ranking de perseguição mundial é a Somália. Localizada numa região conhecida como chifre da África, a Somália é um país com uma cultura rica e complexa, influenciada por uma mistura de tradições africanas, árabes e islâmicas. A religião dominante na Somália é o islamismo, e a sociedade somali é tradicionalmente homogênea em sua prática e interpretação da fé muçulmana (Silva et al., 2016, p. 4).
2.1 Perseguição
A perseguição aos cristãos na Somália é uma realidade séria e constante. Sob a lei islâmica, conhecida como a sharia, a conversão ao cristianismo é considerada apostasia, um crime punível com a pena de morte. Os cristãos somalis enfrentam ameaças constantes de violência e perseguição por parte de grupos extremistas islâmicos, como o Al-Shabaab, que busca impor sua interpretação radical do Islã em todo o país.
2.2 Al Shabaab
O Al Shabaab é um grupo extremista islâmico que surgiu na Somália no início dos anos 2000. Seu nome, em árabe, significa "a juventude", sua ideologia radical e sua aspiração de estabelecer um Estado islâmico restrito na Somália,
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baseado em uma interpretação rígida da lei islâmica, a Sharia (Silva et al., 2016, p. 5).
O grupo ganhou notoriedade por sua brutalidade e seus ataques a alvos civis, militares e governamentais na Somália e em países vizinhos. Eles se envolveram em uma série de ataques suicidas, sequestros, assassinatos e atentados à bomba, visando principalmente aqueles que consideram "infiéis" ou opostos à sua visão extremista do Islã.
O Al Shabaab tem como alvo principal o governo somali, que consideram corrupto e ilegítimo, e suas forças de segurança, bem como as tropas da União Africana que estão estacionadas no país para ajudar na estabilização e combater o grupo. Eles também atacam organizações humanitárias e agências de ajuda internacional que operam na região, dificultando os esforços para fornecer assistência à população somali. “Em 2008, o grupo se aliou à Al Qaeda, aliança que trouxe benefícios para ambos. O Al Shabaab obteve maior força e recursos e a Al Qaeda passou a exercer influência sobre o grupo, alterando sua ideologia e colocando-o como uma ‘frente de combate’ na ‘guerra’ contra o Ocidente.” (Silva et al., 2016, p. 5-6).
Além de seus objetivos militares, o Al Shabaab também procura impor seu controle sobre áreas da Somália, estabelecendo tribunais islâmicos e aplicando uma interpretação rigorosa da Sharia. Eles impõem regras estritas de comportamento e punem aqueles que desafiam suas ordens com amputações, apedrejamentos e execuções públicas.
O grupo recruta principalmente jovens desfavorecidos e desiludidos, oferecendo-lhes uma sensação de propósito e pertencimento em troca de sua lealdade. Eles usam táticas de propaganda e radicalização on-line para recrutar novos membros e promover sua ideologia extremista.
2.3 Intolerância religiosa A intolerância religiosa e a perseguição aos cristãos na Somália têm profundas raízes históricas, que remontam a séculos de influência islâmica e conflitos étnicos na região. Para compreender plenamente esses fenômenos contemporâneos, é essencial examinar o contexto histórico que moldou a mentalidade e as práticas religiosas na Somália ao longo do tempo.
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Desde os primeiros séculos da Era Comum, a região da Somália foi influenciada pelo Islã, que foi introduzido na área por meio do comércio e da migração de árabes e muçulmanos. O Islã gradualmente se tornou a religião dominante na região, desempenhando um papel central na formação da identidade cultural e social dos somalis. Durante séculos, a fé muçulmana foi integrada à estrutura política, legal e social da sociedade somali, tornando-se um elemento central da vida cotidiana e da identidade nacional (Silva et al., 2016, p. 4-5). No entanto, ao longo da história, a prática do Islã na Somália também foi marcada por tensões e conflitos, tanto internos quanto externos. Divisões sectárias, rivalidades étnicas e disputas territoriais contribuíram para a polarização e a violência entre diferentes grupos religiosos e étnicos na região. Além disso, a influência de movimentos islâmicos radicais, como o wahhabismo e o salafismo, exacerbou as divisões e promoveu uma interpretação radical e intolerante do Islã, que rejeita qualquer forma de pluralismo religioso (Silva et al., 2016, p. 4-5). Assim, a intolerância religiosa e a perseguição aos cristãos na Somália são o resultado de uma interseção complexa de fatores históricos, culturais, políticos e religiosos. Para abordar efetivamente esses problemas, é necessário não apenas entender suas raízes históricas, mas também enfrentar ativamente as divisões e os preconceitos que perpetuam a violência e a intolerância religiosa na região. Isso exige um compromisso comum com a promoção da tolerância, da liberdade religiosa e dos direitos humanos, não apenas na Somália, mas em todo o mundo.
TEMA 3 – LÍBIA
A história da Líbia é marcada por uma rica tapeçaria de civilizações antigas, influências culturais e eventos geopolíticos significativos ao longo dos milênios. Localizada no norte da África, a região que agora compreende a Líbia foi habitada por diversas culturas ao longo dos tempos, deixando um legado de riqueza histórica e arqueológica (Retamsapov, 2024, p. 86).
A Líbia também desempenhou um papel importante nas rotas comerciais antigas, especialmente durante o período romano. A cidade de Leptis Magna,
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localizada na Líbia, foi uma das mais importantes cidades da província romana da África e foi famosa por sua arquitetura grandiosa e prosperidade econômica.
No século VII, a região foi conquistada pelos árabes muçulmanos durante a expansão islâmica. A Líbia tornou-se parte do mundo muçulmano e viu a disseminação da fé islâmica, que se tornou a religião dominante na região e influenciou profundamente sua cultura e sociedade (Retamsapov, 2024, p. 87).
Durante os séculos seguintes, a Líbia esteve sujeita a uma série de conquistas e domínios estrangeiros, incluindo os otomanos, os italianos e os colonizadores europeus. No entanto, o país eventualmente alcançou a independência em 1951, com a formação do Reino da Líbia.
A história moderna da Líbia foi fortemente influenciada pelo regime autocrático de Muammar Gaddafi, que governou o país por mais de quatro décadas após um golpe de estado em 1969. O governo de Gaddafi foi caracterizado por repressão política, violações dos direitos humanos e instabilidade interna (Retamsapov, 2024, p. 86).
3.1 Muammar al- Gaddafi
Gaddafi foi um dos líderes mais controversos e duradouros do século XX e início do século XXI, governou a Líbia com mão de ferro por mais de quatro décadas. Nascido em 1942 em uma família beduína na região da Cirenaica, Gaddafi ascendeu ao poder por meio de um golpe de estado em 1969, derrubando o então Rei Idris I e estabelecendo uma forma de governo revolucionária conhecida como "Jamahiriya" ou "Estado das Massas" (Retamsapov, 2024, p. 107-126).
Desde o início de seu governo, Gaddafi promoveu uma ideologia política peculiar, encapsulada em seu "Livro Verde" (livro elaborado por ele em três partes, que fazia parte das escolas líbias) (Retamsapov, 2024, p. 275), que buscava uma forma de socialismo árabe e uma sociedade sem classes.
A primeira parte do livro falava de um sistema de democracia direta que para ele era o método ideal da nação; A segunda parte do Livro verde falava das condições econômicas e condições de propriedade que a Líbia deveria ser organizada, e a terceira parte traz a base social como base da transformação da história (Gaddafi, 1991, p. 7,46,75).
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Seu governo nacionalizou muitas indústrias, controlou a economia do país e implementou um sistema de governo direto, no qual a autoridade era teoricamente exercida diretamente pelas massas, mas na prática era centralizada em torno de sua figura.
Conforme Retamsapov (2024),
o novo governo promulgou uma série de leis que estavam em conformidade com a lei islâmica Sharia, incluindo a proibição do álcool e da prostituição, a promoção de roupas tradicionais líbias, a conversão de igrejas em mesquitas, a introdução do calendário islâmico e a introdução temporária do direito penal islâmico. (Retamsapov, 2024, p. 167)
No entanto, apesar de suas tentativas de estabelecer uma forma de governo única e socialmente justa, o regime de Gaddafi foi caracterizado por repressão política, violações dos direitos humanos e uma concentração de poder nas mãos do líder. A oposição política era suprimida violentamente, e os dissidentes eram perseguidos, presos ou executados.
Além de sua política interna repressiva, Gaddafi também era conhecido por sua presença e influência controversas na política internacional. Ele patrocinou grupos terroristas, como o IRA na Irlanda do Norte e vários grupos palestinos, e esteve envolvido em conflitos armados em toda a África e no Oriente Médio.
O governo de Gaddafi chegou a um fim dramático em 2011, quando a Líbia foi varrida pela onda de protestos da Primavera Árabe. O regime de Gaddafi reprimiu violentamente os protestos, desencadeando uma guerra civil que resultou em uma intervenção militar liderada pela Otan e, finalmente, na queda do governo de Gaddafi.
Em outubro de 2011, Gaddafi foi capturado e morto por combatentes rebeldes em sua cidade natal de Sirte, marcando o fim de uma era na política da Líbia. Seu governo deixou um legado complexo e controverso, com alguns o vendo como um visionário defensor dos oprimidos, enquanto outros o consideram um ditador brutal e um dos líderes mais repressivos da história moderna. Independentemente da perspectiva, a era de Gaddafi deixou uma marca indelével na história da Líbia e da política internacional.
Atualmente, a Líbia continua a enfrentar desafios significativos em sua jornada rumo à estabilidade e prosperidade. Conforme o site Portas Abertas (2024), a Líbia tem o oeste do país governado por milícias ligadas ao governo
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oficial e o leste governado pelo exército nacional líbio, ambos com influência islâmica (Portas Abertas, 2024).
TEMA 4 – ERITREIA
Localizada no chifre da África, a Eritreia apresenta uma população estimada em 5 milhões de habitantes. Está em quarto lugar no ranking dos países mais perseguidos do mundo. Sufocada pela guerra pela independência contra a Etiópia e pelas secas prolongadas, a Eritreia depende de ajuda internacional, pois sua economia foi arrasada (Pontes, 2020, p. 60).
Sua independência se deu apenas em 1993, mas, vem travando guerras com diferentes países desde o seu início, tanto para combater o colonialismo italiano (1890), ou, atualmente, devido a políticas internas, conforme explica Pontes (2020):
as eleições nacionais eritreias foram anunciadas para serem realizadas em 1995 e, depois adiadas até 2000; foi, então, decidido que, tendo em vista que 20% das terras da Eritreia estava sob ocupação, as eleições seriam adiadas até a resolução do conflito com a Etiópia. No entanto, as eleições locais continuaram na Eritreia. As mais recentes eleições locais foram realizadas em maio de 2004. (Pontes, 2020, p. 62)
4.1 Liberdade religiosa
Apesar de aprovada pela Assembleia Nacional da Eritreia o art. 19 (n. 1), que afirma que “cada pessoa deve ter direito à liberdade de pensamento, consciência e crença”, isso nunca foi experimentado na prática, pois o governo atua sempre por decretos. No decreto emitido em 1995,
o governo indicava apenas quatro comunidades religiosas reconhecidas pelo Estado: a Igreja Ortodoxa Tewahedo da Eritreia, a Igreja Evangélica Luterana da Eritreia, a Igreja Católica e o Islamismo sunita. Outras religiões são consideradas ilegais, conforme informações do Gabinete do alto comissário das Nações Unidas para os direitos humanos. (Portas Abertas, 2024)
Apesar da diversidade, o governo eritreu impõe restrições à liberdade religiosa, resultando em perseguição generalizada de praticantes de outras denominações. Desde sua independência em 1993, o governo da Eritreia, liderado pelo partido único, o Partido Popular para a Democracia e a Justiça (PFDJ), exerce um controle absoluto sobre todos os aspectos da vida política e social (Portas Abertas, 2024).
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O governo requer que todas as organizações religiosas se registrem oficialmente e operem sob regulamentações estritas que limitam suas atividades. Qualquer atividade religiosa fora do controle do governo é considerada ilegal e sujeita a punições severas, como detenções arbitrárias, prisões prolongadas, tortura e até mesmo execução por exercerem sua fé fora das instituições religiosas sancionadas pelo governo. Muitos foram detidos indefinidamente sem acusação ou julgamento, e as condições nas prisões são frequentemente desumanas (Portas Abertas, 2024).
4.2 Testemunhas de Jeová
Segundo os dados de 2011, da Acnur, um grupo particularmente afetado pela perseguição religiosa na Eritreia são as Testemunhas de Jeová. Desde 1994, o governo eritreu baniu oficialmente as Testemunhas de Jeová, considerando-as uma ameaça à segurança nacional por sua recusa em participar do serviço militar obrigatório e em jurar lealdade ao governo. Os membros das Testemunhas de Jeová enfrentam uma perseguição implacável, com muitos sendo presos e mantidos em condições desumanas de detenção (Acnur, 2011, p. 18.04).
Além das Testemunhas de Jeová, outras denominações cristãs não sancionadas pelo governo também enfrentam perseguição, incluindo grupos protestantes e católicos independentes. As igrejas domésticas são frequentemente alvo de invasões policiais, e os membros são detidos e interrogados por suas crenças religiosas (Acnur, 2011, p. 18.04).
Conforme dados obtidos pelo Relatório Anual da Comissão dos Estados Unidos sobre liberdade religiosa de 2010:
Desde 1994, o governo da Eritreia negou uma série de serviços governamentais e direitos civis e políticos aos membros da pequena comunidade de Jeová do país Testemunhas. Muitas Testemunhas de Jeová recusaram-se, por motivos religiosos, a participar noreferendo de 1993 sobre a independência ou aceitar o serviço militar nacional exigido para todos os cidadãos, homens e mulheres. O governo optou por interpretar estas ações como uma rejeição da cidadania eritreia. De acordo com um decreto emitido em outubro de 1994 [...], as Testemunhas de Jeová estão impedidas de obter empregos, licenças comerciais e documentos de identidade e viagem emitidos pelo governo. Sem bilhetes de identidade da Eritreia as Testemunhas de Jeová são impedidas de obter documentos legais reconhecimento de casamentos e compras de terras. Devido às suas crenças sobre a objeção de consciência ao serviço militar, são negados efetivamente oportunidades educacionais e de emprego aos jovens cristãos Testemunhas de Jeová, fazendo com que muitos fugissem do país.
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Algumas crianças de foram expulsas da escola por se recusarem a saudar a bandeira. (Acnur, 2011, p. 18.12)
A perseguição religiosa na Eritreia é duramente condenada pela comunidade internacional e por organizações de direitos humanos. No entanto, o governo eritreu continua a reprimir qualquer forma de dissidência, incluindo críticas ao seu tratamento dos direitos religiosos.
TEMA 5 – IÊMEN
O Iêmen, localizado no extremo sul da península arábica, é um país que carrega uma rica história e uma série de desafios contemporâneos. É uma nação estrategicamente importante devido à sua localização geográfica, na junção do Mar Vermelho e do Golfo de Áden. Essas águas são cruciais para o comércio marítimo global, sendo uma rota vital para o transporte de petróleo e mercadorias. Além disso, o controle sobre o estreito de Bab-El-Mandeb, que separa o Iêmen da vizinha Djibuti, tem implicações significativas para a segurança e a estabilidade na região (Albertini; Silva, 2020, p. 147). O contexto político do Iêmen é complexo, marcada por uma sucessão de impérios, reinos e conflitos internos.
5.1 Contexto político
No início do Islã, o Iêmen foi uma parte importante do califado islâmico, desempenhando um papel significativo na disseminação do Islã na região. No século XVI, o Iêmen foi conquistado pelo Império Otomano, tornando-se parte de sua província de Yemen Eyalet. No entanto, o controle otomano foi desafiado por tribos locais e líderes religiosos, resultando em uma série de revoltas e conflitos. No final do século XIX, o sul do Iêmen foi colonizado pelos britânicos, que estabeleceram um protetorado sobre a região de Áden, enquanto o norte permaneceu sob domínio otomano (Albertini; Silva, 2020, p. 147).
Após a retirada britânica em 1967, o sul do Iêmen tornou-se independente como a República Democrática Popular do Iêmen, enquanto o norte permaneceu sob controle do Iêmen do Norte. Em 1990, os dois países se uniram para formar a República do Iêmen unificado. No entanto, a unificação não conseguiu resolver antigas rivalidades e divisões políticas, levando a um conflito armado em 1994. Desde então, o Iêmen tem sido marcado por instabilidade política, com uma série
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de confrontos entre diferentes grupos políticos, tribais e religiosos (Albertini; Silva, 2020, p. 147).
O conflito mais recente, a guerra civil em curso desde 2014, tem agravado ainda mais a situação, resultando em uma das piores crises humanitárias do mundo. No contexto histórico político do Iêmen, as rivalidades tribais, tensões sectárias, interferências estrangeiras e lutas pelo poder político desempenham papéis significativos (Roder et al., 2016, p. 1-4).
5.2 Religião
O contexto religioso no Iêmen é enraizado na história e na identidade do país, com o Islã desempenhando um papel central na vida cotidiana e na cultura da população. Como em muitos países do Oriente Médio, o Iêmen é predominantemente muçulmano, com a grande maioria da população seguindo a fé islâmica. No entanto, há também uma presença minoritária de outras religiões, como o cristianismo e o judaísmo.
5.2.1 Islamismo
O Islã é a religião dominante no Iêmen e desempenha um papel fundamental na estrutura social, política e legal do país. A maioria dos iemenitas pertence à escola de pensamento sunita do Islã, com uma minoria significativa seguindo a seita xiita Zaidi. A cidade de Sanaa é um importante centro religioso, abrigando várias mesquitas históricas e locais sagrados para os muçulmanos. Originado no século VII, pelo profeta Maomé, tem como livro sagrado o Alcorão (Ellwanger, 2020, p. 23).
5.2.2 Sufismo
Além das formas mais ortodoxas do Islã, o sufismo também tem uma presença significativa no Iêmen. O sufismo é uma forma mística e espiritual do Islã que enfatiza a busca pela proximidade com Deus e a realização da verdade espiritual. No Iêmen, o sufismo desempenha um papel importante na vida espiritual e cultural de muitos iemenitas, influenciando práticas religiosas, música e arte (Souza, 2005, p. 80).
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5.2.3 Outras religiões
Embora o Islã seja a religião predominante, o Iêmen também abriga pequenas comunidades de outras religiões. Há uma presença minoritária de cristãos, principalmente nas áreas urbanas, bem como uma pequena comunidade judaica. No entanto, as comunidades não muçulmanas enfrentam desafios e restrições em sua prática religiosa, especialmente devido à influência do direito islâmico na sociedade iemenita.
5.2.4 Tensões sectárias
É importante notar que o contexto religioso no Iêmen também tem sido marcado por tensões sectárias e conflitos políticos, particularmente entre os sunitas e os xiitas.
Conforme Ellwanger (2020),
os sunitas fazem parte das quatro escolas ortodoxas do pensamento islâmico. Este segmento estabelece a maioria dos muçulmanos distribuídos ao redor do mundo, e que se reconhecem como os verdadeiros ortodoxos. A desconformidade entre os sunitas e os xiitas fundamenta-se na sucessão do Profeta Maomé. Os sunitas acreditam que o sucessor de Maomé deveria ser Abu Bakr. Abu Bakr foi conselheiro de Maomé, e após a morte do profeta, tornou-se o líder do mundo muçulmano, através de uma eleição por voto popular. Já os xiitas creem que a sucessão deveria ter sido realizada por um dos membros da família de Maomé. (Ellwanger, 2020, p. 25)
A seita xiita Zaidi, em particular, desempenhou um papel proeminente na história política do Iêmen, com a ascensão de grupos como os rebeldes Houthi, que professam a fé Zaidi, resultando em confrontos violentos e instabilidade política.
FINALIZANDO Chegamos ao final desta etapa e tivemos a oportunidade de vislumbrar a realidade preocupante em muitas partes do mundo, com graus variados de hostilidade em relação à fé cristã. A Portas Abertas (Open Doors) é uma organização cristã internacional, fundada em 1955, pelo Irmão André. Ele foi um missionário cristão nascido em 1928, na Holanda. Tornou-se conhecido por seu trabalho corajoso de levar Bíblias e apoio espiritual para cristãos perseguidos ao redor do mundo, que lhe rendeu o apelido de “contrabandista de Deus”.
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O Irmão André começou sua jornada missionária durante a Guerra da Coreia, quando servia como soldado no exército holandês. Foi durante esse tempo que ele se viu confrontado com a devastação e a necessidade espiritual das pessoas afetadas pela guerra. Essa experiência o inspirou a dedicar sua vida ao serviço cristão e à missão de levar esperança e conforto aos oprimidos. Irmão André cruzava as fronteiras com sacolas cheias de Bíblias escondidas em seu carro, muitas vezes enfrentando riscos significativos de prisão e até mesmo de execução. Ao longo dos anos, a missão Portas Abertas cresceu em escala e alcance, expandindo seus esforços para ajudar cristãos em mais de 70 países onde enfrentam perseguição por causa da fé. O trabalho da Portas Abertas inclui fornecer Bíblias, treinamento pastoral, ajuda humanitária e apoio jurídico para os cristãos perseguidos. A organização também trabalha para conscientizar o público sobre as condições enfrentadas pelos cristãos em contextos de perseguição e mobilizar orações e apoio em seu favor. Dia 27 de setembro de 2022, Irmão André morreu em sua casa na Holanda, aos 94 anos, mas seu legado vive por meio do trabalho da Portas Abertas, que continua a ser uma voz de esperança e apoio para cristãos perseguidos em todo o mundo (Portas Abertas, 2022).
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REFERÊNCIAS
ACNUDH. Gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Detailed findings of the commission of inquiry on human rights in Eritrea, 8 de junho de 2016. Disponível em: <https://www.ohchr.org/sites/default/files/Documents/HRBodies/HRCouncil/CoIEritrea/A_HRC_32_CRP.1_read-only.pdf.> Acesso em: 28 fev. 2024.
ACNUR. Country of origin information report – Eritreia. 2011. Disponível em: <https://www.refworld.org/reference/countryrep/ukho/2011/en/78941>. Acesso em: 28 fev. 2024.
ALBERTINI, M. L. M.; SILVA, B. T. P. Iêmen: a pior crise humanitária do mundo. VirtuaJus, v. 5, n. 8, p. 146-174, 2020/1. Disponível em: <https://periodicos.pucminas.br/index.php/virtuajus/article/view/24153/16979>. Acesso em: 28 fev.2024.
AL-GADDAFI, M. O livro verde: a terceira teoria universal. Ebook. São Paulo: Montecristo Editora, 2012.
ELLWANGER, A. da S. Uma análise sobre a guerra civil no Iêmen. Trabalho de Conclusão de Curso Apresentado ao Curso de Relações Internacionais Da Universidade De Santa Cruz Do Sul – Unisc. Santa Cruz do Sul, 2020. Disponível em: <https://repositorio.unisc.br/jspui/bitstream/11624/2827/1/Aléxia%20da%20Silva%20Ellwanger.pdf>. Acesso em: 28 fev. 2024.
EUA. Gabinete para a Liberdade Religiosa Internacional. 2021 Report on International Religious Freedom: Eritreia U.S. Department of State. Disponível em: <https://www.state.gov/reports/2021-report-on-international-religious-freedom/eritrea/>. Acesso em: 28 fev. 2024.
LÍBIA. Portas Abertas, s.d. Disponível em: <https://portasabertas.org.br/lista-mundial-da-perseguicao/libia>. Acesso em: 28 fev. 2024.
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MARANHÃO, T. Oito dias na Coreia do Norte: os bastidores de um jornalista em viagem pelo país mais fechado do mundo. Ebook. v. 1. S.l.: [s.n.], 2021.
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MORRE irmão André, o contrabandista de Deus. Portas Abertas, 28 set. 2022. Disponível em: <https://portasabertas.org.br/noticias/cristaos-perseguidos/morre-irmao-andre-o-contrabandista-de-deus>. Acesso em: 28 fev. 2024.
PONTES, B. M. S. A guerra entre a Etiópia e a Eritreia. In: Revista de Geopolítica, v. 11. n. 2, p. 56-71, abr./jun. 2020. Disponível em: <http://www.revistageopolitica.com.br/index.php/revistageopolitica/article/view/287>. Acesso em: 28 fev. 2024.
RODER, H. et al. Conflito no Iêmen, o caso Huti. In: Série conflitos internacionais. V. 3, n. 2, abr. 2016. Disponível em: <https://www.marilia.unesp.br/Home/Extensao/observatoriodeconflitosinternacionais/conflito-no-iemen-o-caso-huti-abril-2016.pdf>. Acesso em: 28 fev. 2024.
SILVA, Y. V. R. et al. A Somália e o Al Shabaab. In: Série Conflitos Internacionais. V. 3, n. 6, dez. 2016. Disponível em: <https://www.marilia.unesp.br/Home/Extensao/observatoriodeconflitosinternacionais/a-somalia-e-o-al-shabaab.pdf>. Acesso em: 28 fev. 2024.
SOUZA, C. F. B. O Sufismo como dimensão mística do Islã. Revista Horizonte, Belo Horizonte, v. 4, n. 7, dez. 2005, p. 76-94. Disponível em: https://periodicos.pucminas.br/index.php/horizonte/article/view/528. Acesso em: 28 fev. 2024.

TEMA 1 – A IGREJA E SUA MISSÃO TRIPLA
Ekklesia é a palavra grega usada no NT para Igreja e significa “uma congregação de cristãos, ficando implícita a interação entre os membros” (Louw; Nida, 2013, p. 115). A missão tripla da igreja é composta pela adoração, edificação e evangelização, e cada componente é essencial para a identidade e propósito da comunidade cristã. Cada um desses pilares desempenha um papel fundamental na vida da Igreja e em seu testemunho no mundo.
1.1 Adoração
É o coração pulsante da vida da igreja, o momento em que os crentes se reúnem para louvar, glorificar e honrar a Deus. A adoração é mais do que apenas cantar hinos e orar; é um ato de entrega total a Deus, reconhecendo Sua soberania, bondade e graça. Por meio da adoração, os crentes encontram renovação espiritual, intimidade com Deus e comunhão uns com os outros.
1.2 Edificação
A edificação refere-se ao processo contínuo de crescimento espiritual e fortalecimento mútuo dentro da comunidade cristã. Isso envolve ensino da Palavra de Deus, comunhão fraternal, encorajamento mútuo, discipulado e serviço uns aos outros. A edificação visa capacitar os crentes a crescerem em maturidade
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espiritual, desenvolverem seus dons e talentos, e viverem de acordo com os princípios do Evangelho.
1.3 Evangelização
A evangelização é a missão de proclamar o Evangelho de Jesus Cristo ao mundo e fazer discípulos de todas as nações. É o chamado da Igreja para compartilhar o amor redentor de Deus com aqueles que ainda não conhecem a Cristo e convidá-los a se reconciliarem com Deus. Isso pode ser feito por meio de pregação, testemunho pessoal, ministério social, missões transculturais e outras formas de alcance evangelístico. Esses três aspectos da missão da Igreja estão interconectados e se complementam mutuamente.

A adoração prepara os crentes espiritualmente para o serviço e testemunho. O termo hebraico latreia, que significa serviço ou ministério, apresenta a responsabilidade de oferecer adoração (Milne, 2005, p. 229);

A edificação fortalece e capacita a comunidade para cumprir sua missão evangelística;

A evangelização traz novos crentes para a comunidade da fé, onde eles são nutridos, ensinados e fortalecidos na adoração e edificação contínuas; e leva a mensagem do Evangelho para os povos não alcançados.
A evangelização, conforme Shedd (1996), é o privilégio de apresentar o evangelho aos que se encontram perdidos, a partir de um evangelho salvador, íntegro, capaz de modificar a vida de quem o recebe por completo, como uma semente de boa qualidade, plantada com o objetivo de germinar e ser capaz de se reproduzir. O autor afirma que a mensagem da evangelização que diz respeito ao sacrifício de Jesus na cruz é a única maneira do perdido pecador chegar até Deus (Shedd, 1996, p. 12).
Juntas, adoração, edificação e evangelização formam uma tríade dinâmica que expressa a natureza multifacetada da missão da Igreja no mundo. Ao viver e compartilhar o Evangelho por meio dessas três dimensões, a Igreja cumpre seu chamado de ser uma luz para o mundo e um instrumento de transformação e redenção na sociedade.
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1.4 Missão
A palavra missão é envolve uma ação, significa o que Jesus ordenou que seu povo fizesse, e isso abrange a responsabilidade e o evangelismo. Stott (2010) define evangelismo como “o anúncio das boas novas” (Stott, 2010, p. 47). Seu significado nada tem a ver com resultados ou métodos, mas com arrependimento, fé, mudança de vida e consciência de uma necessidade de perdão. O autor defende que o evangelismo é para todos aqueles que já ouviram falar de Jesus e para aqueles que nunca ouviram falar dele. Ele sustenta que, para experimentar essa nova vida, existe um custo, que é chamado de sacrifício, ou algo que precisa ser deixado de lado para estar em sintonia com Deus (Stott, 2010, p. 46). Evangelismo vem da palavra grega Euangelizomai, que significa trazer ou anunciar o euangelion, as boas novas (Stott, 2010, p. 46).
1.4.1 Proclamação das boas Novas
No Novo Testamento, o evangelismo é visto como a proclamação das boas novas do Reino de Deus através da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Jesus mesmo começou seu ministério público proclamando o evangelho, dizendo: “O tempo é cumprido, e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no evangelho” (Marcos 1.15). Ele anunciou a chegada do Reino de Deus, oferecendo salvação, perdão e libertação para todos os que nele creem.
1.4.2 Testemunho pessoal
Além da proclamação verbal, o evangelismo no Novo Testamento é frequentemente acompanhado pelo testemunho pessoal dos seguidores de Jesus. Os discípulos foram chamados a serem testemunhas de Cristo “até os confins da terra” (Atos 1.8), compartilhando suas experiências pessoais de como Jesus transformou suas vidas e oferece salvação a todos. O testemunho pessoal é uma forma poderosa de comunicar o evangelho de maneira autêntica e relevante.
1.4.3 Missão universal
O evangelismo no Novo Testamento é uma missão universal, destinada a alcançar todas as nações e pessoas de todas as esferas da vida. Jesus instruiu
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seus discípulos a irem e fazerem discípulos de todas as nações (Mateus 28.19-20), levando a mensagem do evangelho além das fronteiras étnicas, culturais e sociais. O livro de Atos relata como os primeiros cristãos foram fiéis a essa missão, levando o evangelho para além de Jerusalém, até os confins da terra.
1.4.4 Poder do Espírito Santo
O evangelismo no Novo Testamento é capacitado pelo poder do Espírito Santo. Jesus prometeu aos seus discípulos que receberiam poder quando o Espírito Santo viesse sobre eles, capacitando-os a serem suas testemunhas (Atos 1.8). O Espírito Santo dá aos crentes coragem, sabedoria, discernimento e ousadia para proclamar o evangelho com eficácia e autoridade.
Assim, o evangelismo no Novo Testamento é o cumprimento da missão de Jesus Cristo, que chamou seus seguidores para proclamar as boas novas do Reino de Deus, testemunhando pessoalmente do seu poder transformador, alcançando todas as nações e pessoas com o poder do Espírito Santo. É uma missão sagrada e urgente que continua até os dias de hoje, desafiando os crentes a compartilharem o amor de Cristo com o mundo ao seu redor (Stott, 2010, p. 66-67).
TEMA 2– FUNDAMENTOS DA EVANGELIZAÇÃO A evangelização, como conceito fundamental no Cristianismo, é enraizada em diversos princípios bíblicos que orientam os crentes a compartilhar a mensagem do Evangelho com o mundo. A Bíblia é repleta de passagens que destacam a importância e o mandamento de evangelizar, fornecendo diretrizes e motivos para os cristãos se engajarem nessa missão sagrada.
2.1 Plantando sementes A Grande Comissão, encontrada em Mateus 28.19-20, é uma das bases bíblicas mais sólidas para a evangelização. Nessa passagem, Jesus instrui seus discípulos a irem e fazerem discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a obedecer a tudo o que Ele ordenou. Essa comissão é vista como um chamado universal para todos os cristãos, não apenas para líderes religiosos, a proclamar o Evangelho e fazer discípulos em todas as esferas da vida.
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Espalhar as sementes do evangelho implica o privilégio de apresentá-lo aos que se encontram perdidos, a partir de uma mensagem salvadora, íntegra, capaz de modificar a vida de quem o recebe por completo, como uma semente de boa qualidade, plantada com o objetivo de germinar e ser capaz de se reproduzir. A mensagem da evangelização diz respeito ao sacrifício de Jesus na cruz, e essa é a única maneira de chegar até Deus.
2.2 Compaixão
A compaixão de Jesus pelos perdidos e marginalizados o levou a buscar e salvar os perdidos (Lucas 19.10), e os cristãos são chamados a seguir seu exemplo, compartilhando a mensagem de esperança e redenção com aqueles que estão espiritualmente perdidos.
O texto de Lucas 19.10 demonstra o tipo de amor que brota do coração de Deus, que todos tenham a possibilidade de salvação. O texto conta a história de Zaqueu, um homem rico de bens, mas pobre porque precisava da salvação. Um homem de posses que precisava do amor de Deus. Zaqueu não foi salvo porque fez promessas de fazer boas obras, mas foi salvo por sua fé, em resposta ao convite de Jesus. A evangelização brota do coração de Deus, porque Ele sabe que a partir disso o pecador tem a possibilidade de “uma relação viva com Cristo, e como resultado, uma mudança radical de vida” (Wiersbe, 2006, p. 327).
Wiersbe afirma que,
de acordo com a Lei mosaica, se um ladrão confessava voluntariamente seu crime, deveria restituir o que havia roubado com um acréscimo de 20% e levar uma oferta pela culpa ao Senhor (Lv.6.1-7). Se havia roubado algo que não pudesse restituir, deveria ressarcir quatro vezes o valor (Êx. 22.1); e se havia sido encontrado com os bens em questão, deveria ressarcir duas vezes o valor (Êx. 22.4) (Wiersbe, 2006, p. 327).
Zaqueu havia se encontrado com o próprio Jesus, o Salvador que se compadece de todos, e não teve dúvidas do que deveria fazer, tão grande foi o impacto que as palavras de Jesus fizeram com o coração dele.
2.3 Amor ao próximo
Outro princípio bíblico importante para a evangelização é o amor ao próximo. Jesus ensinou que devemos amar nosso próximo como a nós mesmos (Mateus 22.39), e esse amor nos motiva a desejar que outros experimentem a salvação e o perdão que encontramos em Cristo.
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O amor ao próximo é a melhor maneira de entender e missão da Igreja e sua obra evangelizadora. A Igreja, vinda do amor dos Três (Igreja da Trindade), é a imagem da comunhão trinitária e tende para a Trindade ao longo do tempo. Tudo na Igreja vem do amor do três vezes Santo Deus: Pai, Filho e Espírito Santo (Forte, 2018, p. 140-142).
O coração pulsante da Igreja é o agápe, o amor que vem de cima e tende a voltar de cima. O agápe é a regra da vida adotada pelos discípulos de Jesus, que acreditam no poder de Sua revelação no amor infinito do Pai: o agápe é a fonte inesgotável do ímpeto missionário da Igreja ao serviço da evangelização mundial para os cantos mais distantes da terra e do coração.
Pode-se, portanto, afirmar que desde o início a Igreja se incluiu nas missões divinas, como um sinal e um instrumento de sua realização no tempo, totalmente imersa na história trinitária de Deus com o mundo. “Pessoas reunidas pela unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (Lumen Gentium 4, 1964). Originário da Trindade e organizado à imagem da Trindade, a Igreja – Ícone da Trindade – não tem outro objetivo a não ser a glorificação do Pai, por meio do Filho e no Espírito Santo. Esforçando-se para esse destino, ignorando a si mesma e sua própria glória, a Igreja alcança sua missão evangelização – uma verdadeira missão da Trindade – acima de tudo como uma kènose de glória divina: a Trindade coloca suas tendas no tempo através da Igreja, que carrega o fardo das limitações que derivam dessa dimensão histórica e mundana. O Espírito é o principal autor desta kènose, que historiciza a missão divina, tornando-a a missão da Igreja.
TEMA 3 – HOMENS COMUNS
Os Doze Apóstolos são figuras comuns, mas também centrais no cristianismo primitivo, escolhidos pessoalmente por Jesus Cristo para serem seus discípulos mais próximos e para liderar a expansão do seu ministério após a sua ascensão. Este grupo seleto desempenhou um papel crucial na fundação e na disseminação da fé cristã, e suas vidas são uma fonte de inspiração e ensinamento para os cristãos até os dias de hoje.
Mas, como afirma MacArthur (2019), “os doze eram como o resto de nós; foram selecionados dentre os indignos e inaptos” (MacArthur, 2019, p. 29).
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3.1 Apóstolo
O ministério dos Apóstolos formado pelos 12 discípulos escolhidos por Jesus terminou. Conforme o teólogo Wiersbe (2006) ninguém pode se intitular um Apóstolo nos dias de hoje, pois para ser considerado um Apóstolo, eram necessárias qualificações especiais.
3.1.1 Testemunha ocular
Conforme o teólogo, “Uma das qualificações de um apóstolo era que tivesse visto o Cristo ressuscitado (At 1.22; 1 Co 9.1); uma vez que hoje ninguém pode dizer que teve essa experiência, a igreja não possui mais apóstolos” (Wiersbe, 2006, p. 548).
3.1.2 Enviado em missão
A palavra apóstolo significa “enviado”, em missão, e tem origem na palavra grega apostolos, tendo sido usada cerca de 80 vezes no Novo Testamento (Bühner, 2004, p. 379-380). Algo interessante de frisar é que, conforme Rengstorf (1965), “o enviado não é o importante”, e sim a missão (Rengstorf, 1965, p. 1069-1071). O apóstolo é o mensageiro, um instrumento, encarregado de uma incumbência ou missão (Mounce, 2013, p. 113).
A palavra apóstolo foi usada nas origens do cristianismo dentro do contexto missionário e foi usada também fora da totalidade dos 12 escolhidos, como acrescenta Walls (2007), sobre os intitulados apóstolos:
Há instâncias no NT onde, [...], parece que o título foi dado a outros além dos doze. Tiago, irmão do Senhor, aparece como tal em Gl 1, 19; 2,9, e, embora não tivesse sido discípulo (cf. Jo 7,5), recebeu uma aparição do ressuscitado só para si (1Co 15,7). Barnabé é chamado de apóstolo em At 14,4.14, e é introduzido por Paulo num argumento que nega qualquer diferença qualitativa entre seu próprio apostolado e o dos doze (1Co 9,1-6). Os desconhecidos Andrônico e Júnias são com toda a probabilidade chamados apóstolos em Rm 16,7, e Paulo, sempre cuidando do emprego dos pronomes pessoais, pode ter assim chamado a Silas, em 1Ts 2,6 (Walls, 2007, p. 68).
E o próprio Paulo, que extrapola o número dos 12, considerado um apóstolo por vocação (Rm 1.1). fica claro que a palavra apóstolo, no início do cristianismo, não era um privilégio, do ponto de vista do status, mas um serviço missionário.
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3.2 A lista
O Novo Testamento nos oferece quatro listas com os nomes dos escolhidos:
Mateus 10.2-4
Marcos 3.16-19
Lucas 6.13-16
Atos 1.13
Grupo 1
Pedro, André, Tiago, João
Pedro, Tiago, João, André
Pedro, André, Tiago, João
Pedro, Tiago, João, André
Grupo 2
Filipe, Bartolomeu (mais conhecido como Natanael), Tomé, Mateus
Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé
Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé
Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus
Grupo 3
Tiago (filho de Alfeu), Tadeu, Simão, Judas Iscariotes
Tiago (filho de Alfeu), Tadeu, Simão, Judas Iscariotes
Tiago (filho de Alfeu), Simão, Judas (filho de Tiago), Judas Iscariotes
Tiago (filho de Alfeu), Simão, Judas (filho de Tiago)
Algo que se destaca nas quatro listas é o nome de Pedro, que aparece como o primeiro nome escolhido em todas elas. Pedro é o líder e também o porta-voz do grupo dos doze. O segundo grupo é sempre formado por “Filipe em primeiro lugar. O terceiro grupo tem Tiago (filho de Alfeu), no começo da lista. Nas três listas em que o nome de Judas Iscariotes aparece, sempre vem por último com o comentário que o identifica como traídor. Seu nome não aparece na lista de Atos, pois nessa época já estava morto” (MacArthur, 2019, p. 47,48).
TEMA 4 – PEDRO, ANDRÉ, TIAGO, JOÃO
John MacArthur (2019) afirma que a lista parece estar em ordem decrescente, baseado no nível de intimidade com Jesus (MacArthur, 2019, p. 48). E que Pedro, André, Tiago e João formam uma espécie de círculo ainda mais íntimo, “esses três veem-se com Jesus nos principais acontecimentos de seu ministério, quando os outros apóstolos não estão presentes ou não se encontram tão próximos. Os membros desse grupo estavam, por exemplo, no monte da
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Transfiguração e no lugar mais interior do Getsêmani” (Mateus 17.1; Marcos 5.37; 13.3; 14.33) (MacArthur, 2019, p. 48,49).
O mesmo autor também sugere que, esse grupo parece ser mais ligado entre si, pois todos eram pescadores, Pedro e André eram irmãos (Mt 4.18) e Tiago e João filhos de Zebedeu também eram irmãos (Mt 4. 21), e possivelmente sócios da empresa de pesca que possuiam, e os quatro eram da mesma comunidade, sendo assim, amigos há mais tempo (MacArthur, 2019, p. 49).
4.1 Pedro – gente como a gente
Entre os Doze Apóstolos, Pedro emerge como uma figura proeminente. Conhecido por sua impulsividade, zelo e obediência, Pedro foi escolhido por Jesus para ser o líder do grupo. Apesar de suas falhas, como negar Jesus três vezes antes da crucificação, Pedro se tornou um poderoso pregador e líder da igreja primitiva em Jerusalém.
Também conhecido como Simão Pedro (Lc 6. 14). Simão era um nome conhecido na época e a Bíblia traz pelo menos “sete Simões”, apenas nos evangelhos. No próprio grupo dos doze, havia dois Simão (Simão Pedro e Simão o Zelote). O Simão Pedro era também chamado de Simão Barjonas, que significa “filho de Jonas” (Mt 16.17) (Macarthur, 2019, p. 51).
Lucas apresenta Pedro da seguinte forma: “Simão, a quem acrescentou o nome de Pedro” (Lc 6. 14). Aqui Jesus não lhe deu o novo nome para usar, mas acrescentou ao nome de Pedro. ‘Pedro’ era uma espécie de apelido que significa rocha” (Macarthur, 2019, p. 51).
Pedro, inicialmente conhecido como Simão, era um pescador de Betsaida, na Galileia (Jo 1.44), quando foi chamado por Jesus para se tornar um de seus discípulos. Em um encontro transformador às margens do Mar da Galileia, Jesus disse a Simão: “Venha comigo, e eu farei de você pescadores de homens” (Mt 4.19), indicando sua futura importância na igreja de Cristo.
Sua confissão de fé em Cesareia de Filipe, quando ele proclamou: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16:16), é um momento crucial que demonstra sua compreensão da verdadeira identidade de Jesus. No entanto, a vida de Pedro também é marcada por momentos de fraqueza e falha.
Ele é conhecido por ter negado Jesus três vezes durante a prisão de Jesus, apesar de suas promessas anteriores de lealdade. Essa experiência dolorosa é um lembrete da fragilidade humana, mas também da graça e do perdão de Jesus,
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que restaurou Pedro e o comissionou para apascentar suas ovelhas (Jo 21.15-19).
Após a ascensão de Jesus, Pedro desempenhou um papel vital na liderança da igreja primitiva. Ele pregou corajosamente o Evangelho no Dia de Pentecostes, resultando na conversão de milhares de pessoas, e desempenhou um papel fundamental na aceitação dos gentios na comunidade cristã, conforme registrado em Atos 10.
A tradição cristã afirma que Pedro foi martirizado em Roma durante o reinado do imperador Nero, sofrendo a crucificação de cabeça para baixo por se considerar indigno de morrer da mesma maneira que seu Senhor. Simão Pedro havia sido preso e estava aguardando julgamento sob o governo de Nero, em Roma, “A tradição da Igreja Cristã, [...], declara reiteradas vezes, que o apóstolo Pedro sofreu martírio na cidade de Roma durante a perseguição desencadeada pelo terrível e sanguinário imperador Nero, provavelmente entre 65 e 67 d.C.” (Castro, 2020, p. 43).
Em suma, a vida de Simão Pedro é uma história de transformação, redenção e serviço fiel a Jesus Cristo. Seus sucessos e falhas o tornam uma figura profundamente humana e inspiradora, lembrando-nos da graça abundante de Deus e do poder transformador do Evangelho.
4.2 André
Dos quatro apóstolos, André é o menos conhecido, mas foi o primeiro de todos os discípulos a ser chamado (Jo 1.40-42), ele era discípulo de João Batista, antes de ser discípulo de Jesus, e foi ele que apresentou seu irmão Pedro a Cristo, apesar de ser o que menos aparece (MacArthur, 2019, p. 81).
Segundo a tradição cristã, André foi crucificado numa cruz em formato de “’X’ chamada de Crux decussata, popularmente conhecida como ‘cruz de santo André’” (Moreira, 2023, p. 14).
4.3 Tiago
Conhecido como “Tiago Maior” ou Tiago mais velho, devido ao outro apóstolo Tiago, filho de Alfeu. Era irmão de João e apelidados por Jesus como “Filhos do Trovão” (Mc 3.17; Lc 9.54) (Moreira, 2023, p. 11). Esteve presente em muitos acontecimentos, como na ressurreição da filha de Jairo (Mc 5.37), na
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transfiguração (Mt 17.1,2), no Getsêmani (Mt 26,37). Conforme Moreira (2023), “Tiago foi o primeiro apóstolo a ser martirizado e o único a ter um registro bíblico. O apóstolo foi decapitado a mando de Herodes Agripa I, por volta do ano 44 d.C. (At 12.1,2) (Moreira, 2023, p. 11).
4.4 João
João, conhecido como o apóstolo do amor, irmão de Tiago, é o mais jovem entre todos do grupo dos doze. Escreveu um dos evangelhos, três epístolas e o livro de Apocalipse (MacArthur, 2019, p. 113).
Conforme Moreira (2023),
João foi o único apóstolo que acompanhou Cristo até a sua crucificação. No caminho da cruz, Cristo, ao vê-lo, deu-lhe a responsabilidade de cuidar de Maria sua mãe (Jo 19.26,27). Depois de receber o Espírito Santo em Pentecostes (At 1.8), o apóstolo pregou com autoridade e ao lado de Pedro alcançaram milhares de almas. (Moreira, 2023, p. 10)
João viveu mais do que todos os apóstolos, segundo os relatos de estudiosos foi durante o reinado do imperador Trajano, por volta de 98 d.C., com quase 100 anos. O amor tornou-se o centro e o fundamento da verdade da vida e da história desse apóstolo tão extraordinário (MacArthur, 2019. p. 134).
TEMA 5 – APÓSTOLO PAULO
Paulo nasceu no início da era cristã, sabemos disso pelo texto de Atos 7.58, onde a narrativa apresenta (Saulo, significa “o desejado”) como um jovem expectador da morte de Estêvão. Nascido em Tarso na Cilícia, de família judia e rica, a ponto de Paulo ter conseguido comprar a cidadania romana. Na cidade de Tarso aprende a língua grega, como sua língua própria, mas sua formação é judaica (Forte, 2005, p. 167).
Aos 13,14 anos seus pais o enviam para Jerusalém, pois o menino judeu deveria apresentar-se no templo judaico, a partir daí, entrou para a famosa escola de Gamaliel, um dos mais importantes mestres da Torá (Forte, 2005, p. 168). De Jerusalém ele volta provavelmente para Tarso e aprende o ofício de fazedor de tendas, mas isso não o deixa totalmente satisfeito, e assim “voltou para Jerusalém, onde entra no partido dos fariseus, e assim começa a travar a sua luta contra o cristianismo (Forte, 2005, p. 168).
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5.1 Perseguidor
Paulo talvez tenha sido o mais rigoroso perseguidor da Igreja (1 Tm 1.13). A narrativa de At 9.1,2 diz: “Saulo, respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote e lhe pediu cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de que, caso achasse alguns que eram do Caminho, assim homens como mulheres, os levasse presos para Jerusalém”.
Damasco, uma cidade importante no Oriente, é mencionada no AT como a capital do reino da Síria. Não temos informações da relação entre os judeus de Damasco e de Jerusalém, mas para Paulo, já era motivo suficiente para uma suspeita (Boor, 2003, p. 82). A reação de Ananias, um morador de Damasco sugere que o cristianismo “se infiltrou”, sem ter acesso por meio de uma evangelização por parte de homens notáveis. Não sabemos por que Saulo, depois de destruir a igreja em Jerusalém, dirige seu olhar precisamente para Damasco. Mas, Saulo está disposto a levar o caso do extermínio dos “cristãos” terrivelmente a sério. Por isso ele planeja deter tanto as mulheres como os homens (Boor, 2003, p. 82).
5.2 A experiência de um encontro
Por volta do ano 35-36 d.C. a caminho de Damasco, com o objetivo de refrear a evangelização dos discípulos de Jesus, ocorre a experiência que mudará a sua vida (At 9.1-9). Saulo acreditava verdadeiramente que estava servindo a Deus ao perseguir a Igreja. O capítulo 9 de Atos, mostra que Saulo simplesmente caiu, não foi derrubado, ou teve um mal súbito, o motivo da sua queda foi um encontro pessoal com o próprio Cristo (At 9.4,5).
Nesse encontro, Saulo descobriu que Jesus estava vivo, motivo pelo qual ele perseguia os cristãos (ele não acreditava que o Cristo morto na cruz era o Messias prometido). Agora se Jesus Cristo estava vivo suas convicções estavam equivocadas. Ao invés de um servo de Deus, havia se tornado um perseguidor da Igreja de Cristo, mas como Cristo escolhe as coisas loucas desse mundo (1 Co 1.27), Saulo se tornaria o apóstolo dos gentios, um dos maiores pregadores e dono de um dos mais eloquentes discursos da história (Wiersbe, 2006, p. 568).
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5.3 De perseguidor a perseguido
“Depois que as escamas caíram dos olhos de Saulo, ele passou a ver novamente. Levantando-se, foi batizado e, depois de comer, recuperou as forças” (At 9. 18). A partir de agora veremos a mudança na história de Paulo: de perseguidor a perseguido. Sem demora ele começou a proclamar as boas novas do Jesus que ele perseguia, declarando que Jesus Cristo é o filho de Deus (At 9. 20).
Tudo isso era tão espantoso aos olhos de todos que ninguém em Damasco podia acreditar, mas Saulo se fortalecia cada vez mais e confundia os judeus que viviam em Damasco, demonstrando que Jesus é o Cristo (Wiersbe, 2006, p. 571). O perseguidor agora respirava ameaças de morte, pois os judeus haviam decidido matá-lo, razão pela qual teve que fugir as escondidas para, através de uma abertura na muralha (At 9.25,26). O livro de Gálatas 1.7 mostra para onde Saulo foi e quanto tempo permaneceu ali. Ele foi para a região da Arábia, e ficou ali por três anos.
Wiersbe (2006) afirma que, “ao voltar a Damasco, Saulo começou a testemunhar novamente, mas os judeus tentaram calá-lo” (Wiersbe, 2006, p. 571). O texto de Atos 9.27-28 diz que foi Barnabé quem ajudou a igreja de Jerusalém a aceitar Saulo:
Então Barnabé veio ajudá-lo e o apresentou aos apóstolos. E lhes contou como Saulo tinha visto o Senhor no caminho e como o Senhor havia falado com ele. Barnabé também contou como, em Damasco, Saulo, pelo poder do nome de Jesus, havia anunciado corajosamente o evangelho. Depois disso Saulo ficou com eles, andando por toda parte em Jerusalém; e, pelo poder do nome do Senhor, ele anunciava corajosamente o evangelho.
Saulo faz uma passagem interessante de Perseguidor para perseguido e agora para um seguidor, um discípulo de Barnabé. A vida de Paulo nos ensina que bons discípulos podem se tornar grandes discipuladores (Wiersbe, 2006, p. 572).
FINALIZANDO Chegamos ao final desta etapa e entendemos a missão tripla da igreja, firmamos os pés nos fundamentos da evangelização, conhecemos mais a fundo os quatro apóstolos mais chegados de Jesus e presenciamos a transformação de Paulo de perseguidor a apóstolo é um poderoso testemunho do poder redentor de
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Cristo. Sua vida exemplifica a verdade do Evangelho, que pode transformar os corações mais endurecidos e levá-los a uma nova vida em Cristo. Paulo se tornou um modelo de fé, coragem e compromisso para os cristãos de todas as gerações, lembrando-nos de que nenhuma pessoa está além do alcance da graça transformadora de Deus.
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REFERÊNCIAS
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